“Guardiões da Galáxia, Vol. 2”, de James Gunn

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    Guardiões da Galáxia, Vol. 2 (Guardians of the Galaxy, Vol. 2
    – 2017)

    O primeiro havia funcionado exatamente por ser um ponto fora
    da curva na fórmula desgastada (para qualquer pessoa acima dos doze anos de
    idade) do universo Marvel no cinema, o foco estava na trama e na construção dos
    personagens, apoiando o humor no carisma de seu elenco. No Volume 2 não há foco
    narrativo, o ritmo se arrasta bastante no segundo ato, o humor, com poucas
    exceções, soa forçado e tolo, como nas piadas repetitivas sobre a aparência, ou
    o apelido de alguém, infantilizando ainda mais o material que, em essência, já
    é direcionado ao público infanto-juvenil.

    Até mesmo a seleção musical, muito inspirada no original,
    não soa orgânica desta vez, ou, nas vezes em que acerta, peca na execução, na
    integração da canção à cena. O resultado é divertido, intensamente agitado, com
    colorido vibrante, mas o fiapo de conflito estabelecido não se sustenta, a
    necessidade de abrir várias possibilidades para os próximos projetos enfraquece
    aquilo que deveria ser o sólido pilar emocional do filme: o relacionamento
    entre Peter Quill (Chris Pratt) e seu pai (Kurt Russell). E, após uma mínima
    evolução nesse sentido, utilizando cenas expositivas pouco engenhosas, sem
    nunca se aprofundar de forma madura nas consequências psicológicas do
    afastamento no filho, caminho que parecia ser natural com a escolha feita no
    início do anterior, o roteiro preguiçoso decide resolver a questão da forma
    mais convencional possível.

    A utilização excessiva de Drax (Dave Bautista) como recurso
    cômico, algo bem equilibrado no anterior, faz com que sua figura se torne
    apenas patética, uma caricatura desprovida de alma, atraente para o público
    infantil, mas irritante para os mais velhos. Como definir a presença inglória de
    Sylvester Stallone? Um personagem desinteressante que é plantado na trama sem
    muito cuidado, utilizado rapidamente, sem brilho, na expectativa de que terá
    alguma função relevante no futuro. Ele pode ser importante nos quadrinhos, mas
    o roteiro, componente maltratado em nove entre dez aventuras adaptadas dos
    quadrinhos, precisa tornar ele minimamente importante no filme. É curioso que,
    em um produto tão mercadologicamente calculado, o único elemento que
    verdadeiramente funciona é o pequeno Groot (voz de Vin Diesel), adorável agente
    do caos.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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