“A Hora do Pesadelo”, de Wes Craven

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    A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street – 1984)

    O criador do assustador conceito foi o diretor Wes Craven,
    que buscou inspiração em casos de homens saudáveis no Camboja que morreram
    durante o sono após reclamarem de pesadelos horríveis. Algo que causou uma histeria coletiva na década de setenta, com pessoas que evitavam dormir temendo encontrar
    o mesmo fim. As filmagens duraram cerca de trinta dias, com um elenco formado
    por jovens desconhecidos, incluindo Johnny Depp, em seu primeiro trabalho.

    A origem de Freddy Krueger e sua doentia personalidade foram
    sendo construídas ao longo da franquia, especialmente nos capítulos
    roteirizados por Craven (o primeiro, o terceiro e o sétimo). O conceito de um
    vilão que utiliza os sonhos para atacar suas vítimas, além de criativamente
    libertário, também é imageticamente estimulante. O maior mérito, como ficou
    provado na fraca refilmagem, é do ator Robert Englund, que por trás de toda a
    maquiagem pesada, consegue em sua maneira de andar ou na sutileza de um simples
    inclinar de cabeça, transmitir a essência do personagem (ele se inspirou no
    “Nosferatu” de Klaus Kinski). Krueger é um molestador, assassino de
    crianças que vive na Rua Elm. Após uma década de crimes e uma pequena estadia
    na prisão, volta para as ruas e é vítima do ódio dos pais das crianças, que o
    seguem até seu esconderijo e ateiam fogo no local. Agora, deformado e muito
    mais poderoso, invade os sonhos da nova geração, na tentativa de vingar-se no
    sono dos filhos de seus algozes.

    Uma ideia genial no roteiro foi mesclar sonho e realidade,
    embaralhando a mente do espectador, que nunca sabia realmente em qual momento o
    assassino poderia aparecer. Enquanto que no original e em sua continuação,
    Krueger era sádico, sendo mostrado apenas em rápidos relances, quase sempre
    envolto em sombras, a partir do terceiro projeto (até o sexto) tornou-se um
    astro pop, com direito a frases de efeito e piadinhas infames. A ideia original
    era que o desfecho do filme mostrasse que tudo não havia passado de um
    sonho, mas a ambição do estúdio em estabelecer uma franquia falou mais alto. A escolha
    para a cena final é macabra e surreal, condizente com a proposta onírica da
    obra. Um elemento que precisa ser salientado é a excelente trilha sonora de
    Charles Bernstein, que foi construída utilizando como base a cantiga infantil
    que emoldura a cena inicial (ideia de Craven), com as crianças pulando corda.

    O horror nasce do subconsciente, da manifestação inesperada
    de um “bicho papão” que chama suas vítimas pelo nome (insinuando
    intimidade), mas acima de tudo, nasce daquilo que não conseguimos enxergar, da
    lâmina que brilha à distância em um estreito corredor.

    a hora do pesadelo darkside books banner1 - "A Hora do Pesadelo", de Wes Craven

    * A editora Darkside Books está lançando dentro da Coleção Dissecando o excelente “A Hora do Pesadelo: Never Sleep Again”, de Thommy Hutson, uma pesquisa preciosa sobre os bastidores das filmagens do filme original de 1984. A qualidade gráfica é impressionante como você pode ver na foto acima. É material obrigatório para fãs do terror.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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