“Como se Tornar o Pior Aluno da Escola”, de Fabrício Bittar

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    Como se Tornar o Pior Aluno da Escola (2017)

    O roteiro escrito por André Catarinacho e Danilo Gentili é bom
    no gênero, as piadas funcionam, a montagem é esperta e entende o público-alvo, mas
    há algo que incomoda e prejudica o resultado, o problema não é raro no cinema
    nacional, a atuação do elenco não está afinada no mesmo diapasão, existem personagens
    que se mostram mais caricatos, outros adotam tom mais natural, além de alguns
    que simplesmente não atuam bem, o que acaba formando um conjunto irregular que
    distrai a atenção do espectador em algumas sequências. Com esta ressalva, vale
    destacar a importância da nossa indústria abraçar vertentes diferentes dentro
    da comédia, a (extrema) ousadia temática politicamente incorreta de “Como se
    Tornar o Pior Aluno da Escola”, especialmente nos dias de hoje, deve ser
    aplaudida. Arte é escapismo, aqueles que criticam, por exemplo, a celebração do
    bullying no filme, com o perdão da expressão, são apenas imbecis. E digo isto
    como alguém que sofreu na infância e adolescência com violência física e
    psicológica e escreveu um livro abordando o assunto.

    A trama capta com exatidão a essência nonsense e debochada do
    cinema adolescente dos anos oitenta, aquela época maravilhosa em que o
    estudante chegava em casa, jogava a mochila no sofá e ligava a televisão para
    ver “Primavera na Pele”, ou “Férias do Barulho” no vespertino “Cinema em Casa”
    do SBT. Exatamente por este motivo é tão agradável reencontrar o eterno Quico
    de “Chaves”, Carlos Villagrán, vivendo o diretor da escola. Eu destaco também a
    presença sempre competente de Moacyr Franco, mestre do minimalismo brilhante,
    vivendo um faxineiro rebelde. Ótima ideia trazer de volta Joana Fomm, grande
    atriz que merecia ter tido participação mais expressiva na tela grande em sua
    carreira. E também é curioso ver Rogério Skylab, músico exótico especialista em
    subverter e chocar, vivendo um professor de História relativamente sisudo e
    cleptomaníaco, boa sacada. Os jovens protagonistas, Bruno Munhoz e Daniel
    Pimentel, apesar de não terem experiência na área, transmitem segurança e ótimo
    senso de timing cômico. Danilo Gentili não é ator, mas utiliza sua experiência como
    comediante nos palcos para injetar generosa dose de carisma ao viver uma
    espécie de versão adulta e mais cínica do Ferris Bueller, de “Curtindo a Vida
    Adoidado”, desencantado com a vida e que se torna o mentor da dupla.

    Um aspecto interessante que engrandece a obra é propor a
    discussão sobre o conceito equivocado que escraviza o indivíduo, desde muito
    novo, ao reducionismo existencial que busca notas altas e incentiva um comportamento
    padronizado. Se você não se sente confortável no molde, logo, você é excluído. Um
    sistema educacional que valoriza a memorização, ao invés do real aprendizado. Na
    sequência em que o personagem de Gentili ensina que o certo é rasgar livros, a
    professora está indicando a leitura de “Iracema”, clássico de José de Alencar.
    A crítica é certeira, não há nada pior que inserir (com o acréscimo terrível da
    obrigação) no currículo escolar de pré-adolescentes tomos pensados para leitores
    adultos. Não é a maneira mais inteligente de incentivar o hábito precioso da
    leitura.

    A reflexão é fundamental, vivemos em um país com índices vergonhosamente
    baixos em educação. Talvez ser o “pior aluno” em um sistema inegavelmente falido
    pode representar alguns passos na direção certa.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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