“Artista do Desastre”, de James Franco

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    Link para o meu texto sobre “The Room”, de Tommy Wiseau:
    http://www.devotudoaocinema.com.br/2017/11/guilty-pleasures-room-de-tommy-wiseau.html

    Artista do Desastre (The Disaster Artist – 2017)
    Você pode não conhecer Tommy Wiseau, mas seu filme “The Room”,
    apesar de ser horroroso em todos os aspectos, segue lotando salas de cinema nos
    Estados Unidos em sessões de meia-noite, com fãs que interagem minuto a minuto
    com os acontecimentos, algo similar ao que ocorre com o clássico “The Rocky
    Horror Picture Show”. O diretor James Franco, que também protagoniza, emulando
    com perfeição a voz e os maneirismos do homenageado, injeta leveza e audácia no
    roteiro de Scott Neustadter e Michael H. Weber, adaptado do livro homônimo escrito
    por Greg Sestero e Tom Bissell, que alterna capítulos focados no impacto de
    Wiseau na vida de Sestero, seu colega de teatro, e, os mais interessantes, focados
    na caótica rotina de filmagens.

    O filme poderia ter dedicado mais tempo aos
    absurdos hilários ocorridos com a equipe, já que o relacionamento dos amigos é,
    apesar de esquisito, a reutilização do clichê dos sonhadores que abandonam tudo
    na busca por seus objetivos. Greg, vivido por Dave Franco, o “carinha de bebê”,
    antítese do tipo grotesco que todos enxergam em Tommy, deseja vencer
    financeiramente na indústria de cinema, enquanto o colega, que parece nadar em
    dinheiro, quer apenas o reconhecimento artístico, ele leva profundamente a
    sério a arte. Quando coloca na cabeça a ideia de provar seu talento produzindo/roteirizando/dirigindo
    e estrelando um filme, ao invés de continuar batendo nas portas dos agentes e
    recebendo sempre as mesmas respostas negativas, que o reduzem ao estereótipo
    que seu visual entrega, ele se empolga, perde o controle. O roteiro, assim como
    o livro, acerta ao evitar um retrato humilhante, mesmo quando as suas atitudes
    em cena parecem não deixar outra escolha, por trás de cada piada, você consegue
    sentir o impulso genuíno de alguém que verdadeiramente acredita naquilo que diz
    e faz. A mesma dignidade de figuras como Ed Wood, a caricatura ambulante que
    claramente esconde muita mágoa e problemas psicológicos causados pela rejeição,
    elementos sempre insinuados, já que o tom é de comédia, e, vale destacar, muito
    eficiente.

    É brilhante a ideia de iniciar o filme com depoimentos elogiosos de
    nomes relevantes e respeitados da indústria, como J.J. Abrams e Kevin Smith, uma
    declaração corajosa de que cinema não é só técnica, a autenticidade do criador
    pode cativar o público. “The Room” faz tudo errado, mas ele provoca reações. Os
    piores filmes do mundo são aqueles que causam indiferença.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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