Ciclo de Clássicos das Artes Marciais – “A Víbora do Cantão” e “A Vingança do Águia”

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    A Víbora do Cantão (Gwandongsalmusa – 1983)

    Considerada perdida por muitos anos, resgatada e restaurada por um grupo de fãs, esta obra-prima coreana do diretor Jang Lee Hwang foi lançada em DVD lá fora com o título “Canton Viper”. Eu tive contato recentemente com este trabalho, fiquei completamente surpreendido pela qualidade do roteiro de Hong Ji-woon. Até mesmo o usual clímax de confronto coreografado, essência do gênero, desta vez é substituído por uma conclusão dramaticamente eficiente, o foco é emocional, apesar das cenas de ação serem fantásticas, o que fica após a sessão é o desenvolvimento do relacionamento entre Kal (vivido por Hwang, mestre de Taekwondo, em uma das raras vezes em que não interpretou o vilão), a bela viúva e seu filho pequeno, que o idolatra como pai adotivo e símbolo de heroísmo, numa variação do tema do faroeste “Shane”. O problema é que o protagonista desconhece que foi o responsável pela morte do pai do menino, que jurou vingança, elemento que despertará tremendo conflito interno no terceiro ato. É interessante a utilização de poderes especiais nas lutas, como telecinese e o plasticamente bonito controle do fluxo da água com a mente, algo que intensifica a aura de fábula. Um filme raro e que merece ser garimpado pelos cinéfilos dedicados.

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    A Vingança do Águia (Leng xue shi san ying – 1978)

    A trama é simples, o clássico conto de vingança, o mérito está na reviravolta insinuada já no segundo ato. Um cruel mestre das artes marciais (Ku Feng) treina seus discípulos para se tornarem assassinos obedientes, chamados de “Águias”. Um destes assassinos (Ti Lung, talvez no melhor momento de sua carreira), perito na utilização do bastão triplo, foge do grupo após um desentendimento e encontra um rapaz misterioso (o carismático e talentoso Alexander Fu Sheng, que faleceu precocemente aos 28 anos em um acidente de carro) que passa a ajudar o fugitivo contra seus perseguidores. Este é um dos meus favoritos dos lendários estúdios Shaw Brothers, dos irmãos Sir Run Run e Runme, dirigido por Sun Chung, reconhecido por seu apreço pelas tomadas abertas nas sequências de luta, opção que favorecia tremendamente a complexidade das coreografias, nenhum detalhe é perdido no balé dos corpos, ao invés do imediatismo visceral de seus colegas menos elegantes e, por conseguinte, mais populares. As lutas movem a narrativa adiante, trabalham com investimento emocional, algo raro no gênero. E de todas as obras que vi do diretor, “A Vingança do Águia” é aquele em que ele consegue executar seu estilo com mais eficiência e segurança.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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