Ciclo de Clássicos das Artes Marciais – “Ho, O Sujo” e “Hapkido”

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Ho, O Sujo (Lan Tou He – 1976)

Ho (Wong Yue) é um impetuoso ladrão de joias que acredita ser muito esperto. Wang (Gordon Liu) é um príncipe disfarçado que passa seu tempo admirando arte, colecionando antiguidades e degustando vinhos. Quando os dois se encontram, Wang percebe o grande potencial de Ho e arma um plano para que ele tenha que o servir sem revelar sua
verdadeira identidade. A trama é um tanto quanto confusa, o segundo ato é problemático, mas as coreografias e as ideias criativas que as envolvem estão entre as melhores já feitas no gênero, como nas tentativas de se disfarçar das pessoas ao redor que os personagens estão trocando sopapos, escondendo seus movimentos com uma surreal atitude passiva. É curioso que muitos cinéfilos valorizem a arte por trás das danças nos musicais, mas tenha preconceito com a arte por trás das lutas dos filmes de artes marciais. A direção só podia ser do mestre Chia-Liang Liu (também conhecido como Lau Kar-Leung), com o refinamento dos estúdios Shaw Brothers, combinação que garante também momentos hilários, politicamente incorretos se analisados hoje, como a sequência da visita dos sete guerreiros efeminados, ou a ameaça pythoniana dos “quatro demônios deficientes físicos”. O ponto alto é o confronto final, com Gordon Liu sem poder utilizar uma das pernas, unindo forças com Wong Yue, contra os adversários.

Elder and Ying go at it 11 - Ciclo de Clássicos das Artes Marciais - "Ho, O Sujo" e "Hapkido"

Hapkido (He Qi Dao – 1972)

Um dos méritos mais louváveis nesta produção da Golden Harvest, dirigida por Feng Huang, é a autenticidade com que exibe o Hapkido, nenhum movimento é embelezado para ficar mais esteticamente interessante para a câmera. Gosto especialmente do filme por ser protagonizado pela taiwanesa Angela Mao, exalando beleza e poder, combinação irresistível que me fez rever com frequência a obra na adolescência. O ponto alto que ainda me empolga, ver a sua personagem, sozinha, destruir uma classe inteira de estudantes, com sua honra intacta, usando como arma improvisada até mesmo o seu penteado, respeitando o código de que sua habilidade somente seria utilizada para defesa, nunca para o ataque gratuito. Sammo Hung, em início de carreira, já demonstra o carisma e a tremenda habilidade que o transformariam, em pouco tempo, em um dos maiores símbolos de competência no gênero, como ator e diretor. É muito interessante a ideia abordada na trama, com o estilo marcial do título sendo a resposta essencialmente elegante dos coreanos contra a opressão da ocupação dos japoneses, que, obviamente, menosprezam esta arte como tecnicamente inferior, ou, como um dos adversários afirma, “uma brincadeira de criança”. E, claro, vale destacar a presença do grande mestre Ji Han-jae logo no início, praticamente palestrando sobre o Hapkido, ajudando a elevar o tom de seriedade e credibilidade do filme.

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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