Ciclo de Clássicos das Artes Marciais – “The Killing Machine” e “Drunken Tai Chi”

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    The Killing Machine (Shorinji Kempo – 1975)

    “Força sem justiça é violência. Justiça sem força é fraqueza.” (frase do filósofo francês Blaise Pascal que fecha a obra)

    Quando se fala em Sonny Chiba, muitos lembram de seu trabalho na trilogia “The Street Fighter”, mas considero que seu melhor momento, como artista marcial e como ator, rara oportunidade que ele teve de construir várias camadas, está nesta pérola pouco conhecida, dirigida pelo japonês Norifumi Suzuki, com roteiro de Isao Matsumoto, que aborda a vida real de Doshin So, fundador do Shorijin Kempo, de sua infância traumática, passando pelo tempo em que foi soldado no período final da Segunda Guerra, até se tornar mestre. Chiba era seu aprendiz, logo, dá para imaginar a emoção que ele sentiu ao defender o personagem na tela grande. O tom é pesado, afinado no diapasão dramático trágico, aura que se reflete na forma como a técnica marcial é utilizada, com brutalidade e dose generosa de gore, primando pelas fechaduras de pulso rotacionais, especialidade do homenageado. A cena da castração do estuprador é marcante, cinematograficamente poderosa, mas o que fica após a sessão não são as sequências de luta. Não me lembro de outro filme do gênero que trabalhe com tanta eficiência a questão da importância da disciplina das artes marciais como força inspiradora e transformadora na vida dos mais jovens, auxiliando na superação de obstáculos e formando caracteres nobres.

    Chin Do thinks hes come to the rescue.. - Ciclo de Clássicos das Artes Marciais - "The Killing Machine" e "Drunken Tai Chi"

    Drunken Tai Chi (Siu Tai Gik – 1984)

    Esta produção da Dragons Group Film dirigida pelo grande Yuen Woo-ping, mais conhecido pela nova geração por ter sido o coreógrafo de “Matrix”, poderia ser descartada como apenas mais um roteiro cômico com ótimas sequências coreografadas, mas há um elemento nela que merece ser salientado, o filme marca a estreia do espetacular Donnie Yen, vivendo um tipo muito diferente do que acabou se tornando sua persona mais facilmente reconhecível hoje em dia. E logo em sua primeira cena, aparentemente um despretensioso passeio de bicicleta, a câmera já demonstra a admiração por seu talento, o espectador em questão de minutos já é conquistado por seu carisma, bom-humor e a precisão cirúrgica dos movimentos ao enfrentar um desordeiro, favorecida pela utilização da câmera lenta. A estrutura é similar aos projetos iniciais de Jackie Chan e Sammo Hung, com muito pastelão e uma pegada descompromissada fascinantemente irresponsável, a trama é simplória e convencional, mas o ritmo é ágil, impecável, considero até muito superior a “Drunken Master”, filme mais conhecido do diretor.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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