Nos Embalos do Rei do Rock – “Amor à Toda Velocidade”

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    Em uma entrevista recente, Ann-Margret, quando perguntada sobre seu relacionamento com Elvis, silencia respeitosamente e se emociona, o apresentador não disfarça sua surpresa, a mulher que foi desejada por todos à época, mesmo após tantos anos do falecimento do amigo, não consegue tocar em seu nome sem lacrimejar. Lucidamente, ela acusa todos que se aproveitaram dele e que não tentaram ajudar no período de crise, quando sua saúde já estava debilitada, especialmente os jornalistas da área que não o elogiavam em vida por inveja. Apesar das tentativas do entrevistador, ela se recusa a comentar detalhes de seu caso amoroso, na época em que ele estava oficialmente comprometido com Priscilla, afirmando que seria incapaz de trair a confiança dele. Dá para imaginar o nível de cumplicidade que existia nos sets de filmagem de “Amor à Toda Velocidade”, a química do casal transborda na tela, a paixão era real e intensa, os dois se entendiam plenamente, já que viviam a mesma realidade do show business. E muitos fãs acreditam que se Elvis tivesse ficado com Ann-Margret, ele estaria vivo até hoje.

    vlcsnap 2015 03 14 21h54m16s69 - Nos Embalos do Rei do Rock - "Amor à Toda Velocidade"

    Amor à Toda Velocidade (Viva Las Vegas – 1964)

    Em Las Vegas, um piloto de corrida (Elvis Presley) quer
    participar do 1º Grande Prêmio da cidade, mas perde o dinheiro que usaria para
    comprar um motor. Ele então passa a trabalhar como garçom e se envolve com uma
    professora de natação (Ann-Margret), que se sente incomodada pela obsessão que
    ele tem por corridas, pois teme que algo aconteça.

    Ann-Margret era dinamite nas telas quando cantava e dançava, levantava a moral dos soldados em shows durante a guerra, uma bela garota com personalidade forte na época auge do machismo, ela acabou ficando nos bastidores com fama de “mulher fácil”. Quando conheceu Elvis nos estúdios de gravação da MGM, apresentada cordialmente pelo veterano diretor George Sidney, já envoltos pela máquina de marketing da empresa, ela se surpreendeu com a gentileza do rapaz, que a enxergava com muito respeito e a tratava com ternura. Aos olhos dele, ela podia deixar de se preocupar com a imagem de musa sexy e voltar a agir como a jovem imigrante sueca cheia de sonhos, os dois não levavam muito à sério os estereótipos criados sobre eles, brincavam constantemente, compartilhavam o amor pela música, o relacionamento amoroso se manteve por todo o ano, a amizade, até o falecimento do cantor.

    É a melhor bilheteria na carreira cinematográfica de Elvis e muitos afirmam que este é o melhor filme que ele fez, eu não concordo, mas entendo os motivos, o diretor, responsável por obras-primas como “O Barco das Ilusões”, “Scaramouche”, “Os Três Mosqueteiros”, “Marujos do Amor”, “Melodia Imortal”, entre outros, era especialista em musicais elegantes, o que garantiu um ritmo verdadeiramente único na produção, a trama não apresenta qualquer barriga, todos os momentos funcionam, as músicas se encaixam perfeitamente nas cenas, o resultado diverte sem subestimar a inteligência do público. A alta qualidade era perceptível em todos os setores. A produção refinada foi de Jack Cummings, de “Sete Noivas Para Sete Irmãos”. O roteiro foi escrito por Sally Benson, responsável pelo excelente “Agora Seremos Felizes”, com Judy Garland. A direção de fotografia ficou sob responsabilidade de Joseph F. Biroc, que trabalharia anos depois em “Inferno na Torre”. A trilha-sonora manteve o alto nível, com destaque para “What’d I Say”, composta por Ray Charles, “C’mon Everybody” (Joy Byers) e a linda balada “Today, Tomorrow and Forever” (Giant-Baum-Kaye), com direito ainda a uma interpretação marcante do rei do rock no clássico italiano “Santa Lucia”. A canção-tema, “Viva Las Vegas” (Pomus-Shuman), apesar de frenética, acaba pecando pela artificialidade, típico tratamento genérico e pasteurizado que acabou diluindo a espontaneidade do cantor em sua segunda fase em Hollywood.

    Um aspecto que poucos lembram é que a montagem da sequência de corrida de carros no desfecho, com generosa utilização da câmera em primeira pessoa no volante, foi celebrada pelos críticos à época como a melhor do tipo até o momento. Apenas “Bullitt”, com Steve McQueen, conseguiria superar o feito, quatro anos depois.

    A Seguir: Carrossel de Emoções (Roustabout)

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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