“O Parque” é exercício minimalista sobre o tédio absoluto

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O Parque (Le Parc – 2016)

Seria fácil justificar a obra com o argumento de que não é pensada para o grande público, defender que “O Parque” está mais para um experimento universitário, ou até mesmo levar em consideração o seu baixíssimo orçamento. Não acho justo com tantos cineastas esforçados, minimamente empáticos, que enxergam além do próprio umbigo. O jovem diretor Damien Manivel conseguiu produzir os setenta minutos mais longos e enfadonhos da história recente do cinema.

Com uma abordagem minimalista extrema, a câmera acompanha um casal de namorados em um parque. O rapaz (Maxime Bachellerie) cita Freud despretensiosamente, enquanto a garota (Naomie Vogt-Roby) revela que abandonou a ginástica olímpica após fraturar os pulsos. O dia vira noite, os dois brincam de pique-pega, trocam diálogos vazios, mas nada de realmente relevante é exposto sobre eles. Sabemos que se conheceram virtualmente, tema que poderia ter evoluído para questionamentos interessantes sobre o sistema imediatista de relacionamentos moderno, mas o objetivo claro do diretor é sanar rapidamente os problemas de insônia do público.

Quando tudo parece caminhar para lugar algum, o roteiro confirma esta suposição, entregando uma reviravolta conceitualmente risível. A garota é abandonada, o que a faz pensar como seria bom se pudesse voltar no tempo e, pasmem, ela começa a andar para trás, como um robô, algo que a câmera acompanha por uns longos dez minutos. Tudo muito forçado, o desespero de se mostrar intelectual, difícil, complexo, apenas evidencia como o resultado é indesculpavelmente raso.

Surrealismo cafona de butique, aquele tipo de material tolo que cinéfilos adolescentes e inseguros existencialmente adoram defender com o clássico: “Não é para qualquer um”. Verdade, se você preza pelo seu suado dinheiro, evite neste caso o alto preço do ingresso.

  • Crítica publicada no Caderno B do “Jornal do Brasil” (03/05/18).

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Octavio Caruso
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