O encanto e o simples brilhantismo de “Chef”, de Jon Favreau

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Chef (2014)

Depois de perder seu emprego como chef em um famoso restaurante de Los Angeles, Carl (Jon Favreau), para a surpresa de todos, compra um trailer e passa a fazer e vender comida pelas ruas. 

O protagonista buscava o aval dos críticos em sua arte, logo, quando teve seus esforços passionais desvalorizados por um profissional (Oliver Platt), ficou perdido, não enxergava rotas de fuga, ele se considerou um fracasso. Mas a avaliação não estava errada, o que incomodou o chef foi reconhecer que o estado de comodismo criativo em que se encontrava, graças à atitude medrosa de seu superior (Dustin Hoffman), que tolhia qualquer insinuação de arriscada novidade no cardápio da casa, havia sido notada pelo avaliador.

Quando pensou não ter mais nada a perder, após ser despedido, ele decidiu comprar o trailer e preparar/vender comida nas ruas, metáfora bonita para a mudança de atitude com relação ao seu trabalho. Sim, assim como “Rocky, Um Lutador” não é essencialmente sobre pugilismo, “Chef” essencialmente não é um conto realista sobre o sucesso de um food truck. Ao aceitar novamente correr riscos, a paixão pela gastronomia retornou com força total, contagiando até o amigo (John Leguizamo), que abandonou o posto respeitado no restaurante sem pensar duas vezes, desejando ficar sem remuneração inicial ao lado de Carl em seu empreendimento.

A ex-esposa (Sofia Vergara) e seu filho pequeno (Emjay Anthony), antes notas de rodapé na vida dele, passam a respeitar sua coragem. O roteiro acerta ao fazer com que o afeto entre pai e filho fosse despertado organicamente, não apenas como consequência melodramática da aproximação por laço sanguíneo, o garoto faz por merecer o carinho conquistado, utilizando seu entrosamento com as redes sociais para ajudar o pai na divulgação. O adulto entende que tudo o que a criança queria era sua atenção, participar verdadeiramente de sua vida e ser considerado peça fundamental, não sobressalente, em sua engrenagem. A mulher, por conseguinte, encontra várias razões para se reapaixonar por aquela pessoa que, por muito tempo, havia se perdido em sua ambição por reconhecimento profissional.

De estrutura brilhantemente simples, despretensiosa, “Chef” é muito mais do que aquilo que se enxerga na superfície. O diretor Jon Favreau, após flertar com o blockbuster nos dois primeiros “Homem de Ferro”, abraçou novamente o cinema intimista nesta pérola encantadora sobre a reaproximação de uma família através do amor pela gastronomia. A importância do indivíduo nunca se acomodar em sua arte, seja ela qual for, motivado sempre pelo amor, em suma, a valorização do “ser”, não do “ter”.

Cotação: Azhar movie Star Ratings 2 - O encanto e o simples brilhantismo de "Chef", de Jon Favreau

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Octavio Caruso
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