Crítica de “A Freira”, de Corin Hardy

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A Freira (The Nun – 2018)

Presa em um convento na Romênia, uma freira comete suicídio. Para investigar o caso, o Vaticano envia um padre (Demián Bichir) e uma noviça (Taissa Farmiga) prestes a se tornar freira. Arriscando suas vidas, a fé e até suas almas, os dois descobrem um segredo profano e se confrontam com uma força do mal que toma a forma de uma freira demoníaca e transforma o convento em um campo de batalha.

O diretor Corin Hardy, do fraquíssimo “A Maldição da Floresta”, entrega mais um produto genérico de terror para o consumo rápido da parcela menos criteriosa do público. Talvez a pior decisão tenha sido transformar o ótimo “Invocação do Mal”, que entrou na minha lista de melhores em seu ano de estreia, em uma franquia apática de universo compartilhado que apela sem criatividade para todos os gatilhos desgastados do gênero, com cenas que só funcionam minimamente com o auxílio do design de som e, vale destacar, prejudicadas ainda mais pela utilização desajeitada e excessiva de alívios cômicos sem noção alguma de timing. A técnica adotada para intensificar a surpresa do espectador, jogando com a câmera, utilizando os espaços vazios no enquadramento, funciona nas primeiras vezes, mas se torna apenas irritante após várias repetições.

Há uma preocupação tola em estabelecer a origem de um mal na década de cinquenta que, em nenhum momento, transmite real sensação de medo, já que o tom sombrio alcançado nos primeiros dez minutos é gradativamente abandonado, culminando em um desfecho inacreditavelmente bobo, abraçando uma fórmula de seriado sobrenatural adolescente. E o roteiro, de Gary Dauberman, comete o equívoco grosseiro de expor em demasia a figura da freira demoníaca, exaurindo em pouco tempo sua essência assustadora, elemento que, inclusive, trabalha contra o efeito sensorial da personagem em “Invocação do Mal 2”.

A subtrama envolvendo uma conspiração da religião organizada é salpicada desavergonhadamente pensando na expansão em próximos filmes, deixando um gosto amargo e a noção de que, atualmente, estamos pagando ingresso para ver histórias inacabadas.

Cotação: download - Crítica de "A Freira", de Corin Hardy

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Octavio Caruso
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