Crítica de “A Esposa”, de Björn Runge

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A Esposa (The Wife – 2017)

Uma esposa (Glenn Close) questiona suas escolhas na vida durante uma viagem com o marido (Jonathan Pryce), que está para receber o prêmio Nobel de literatura.

O roteiro de Jane Anderson, baseado no livro homônimo de Meg Wolitzer, tem na figura sempre competente de Glenn Close o seu esteio mais elegante, o elemento que mantém a atenção do público, apesar dos vários tropeços (especialmente na forma como trabalha os frequentes flashbacks), das caracterizações rasas (não apenas dos personagens secundários) e do ritmo arrastado.

É o típico teatro filmado que não funcionaria na linguagem cinematográfica sem a força da natureza que é Close, alternando fúria silenciosa, ressentimento, angústia e orgulho, driblando alguns diálogos menos fluidos com expressões sempre captadas pela câmera com compreensível reverência. Os seus olhares e sutis gestos compensam o texto engessado.

O ritmo melhora próximo do final, apesar de apelar para uma reviravolta tola, previsível, pensada obviamente para satisfazer a demanda do público pelo panfletarismo feminista do movimento #MeToo, material que parece ter sido escrito por um estudante de cinema de primeiro período, prejudicando a experiência.

O retrato da mulher oprimida num meio machista é mais contemplativo que crítico, a obra se ampara demais na mensagem, esquecendo que é fundamental oferecer recursos para que o espectador invista emocionalmente naquilo que está vendo.

“A Esposa”, em essência, parece ter sido produzido na década de 90, tudo muito burocrático, sem uma assinatura firme na direção do sueco Björn Runge.

Cotação: 3 stars - Crítica de "A Esposa", de Björn Runge

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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