Crítica de “Cafarnaum”, de Nadine Labaki

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Cafarnaum (Capharnaüm – 2018)

Uma fábula política e contemporânea, a trama gira em torno de uma criança de temperamento forte que deseja processar os pais por ter nascido. 

A diretora libanesa Nadine Labaki já mostrou que é muito competente nas pérolas “Caramelo” e “E Agora Onde Vamos?”, mas seu novo trabalho, “Cafarnaum”, apesar de emocionalmente eficiente, mérito inegável, representa o abraço apertado no melodrama cafona de similares como “Quem Quer Ser Um Milionário?”.

O protagonista Zain Al Rafeea, menino sírio de 12 anos que, na época da filmagem, já vivia por oito anos como refugiado em Beirute, carrega nas costas a produção, compensando em seu rosto expressivo muitos dos problemas narrativos. É impossível não investir emocionalmente na sua jornada, mas o tom de realismo documental é sabotado a todo momento por soluções convenientes dignas de contos de fada, sendo ainda prejudicado pelo ritmo enfadonho.

Labaki comete um equívoco ao não saber ao certo para quem está se dirigindo, ela parece querer cativar (esteticamente) o público que aprecia o típico indie umbilical contemplativo e (pelo simplismo no discurso) a massa que alimenta os convencionais dramalhões mainstream. Neste cabo de guerra criativo, acaba não agradando plenamente ninguém.

Manipulativo em excesso, romantizando a miséria com sentimentalismo de propaganda televisiva natalina, o roteiro, longe da sutileza elegante de suas obras anteriores, sem qualquer nuance psicológica na execução dos gatilhos lacrimosos, obviamente buscou se adequar à fórmula rasa das premiações.

Cotação: 3 stars - Crítica de "Cafarnaum", de Nadine Labaki

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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