“Os Sinos de San Angelo” e “A Trilha do Perigo”, com o Rei dos Cowboys, ROY ROGERS

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Eu conheci Roy Rogers e Trigger, o cavalo mais esperto do cinema, na época do garimpo nas locadoras de vídeo, ainda na pré-adolescência, lembro de uma tarde em que choquei a atendente quando me aproximei do balcão com 5 fitas de suas aventuras. Um menino tão novo, ela dizia debochada, com “jeitão de velho”, algo que sempre considerei um elogio. Os faroestes B da Republic Pictures não são espetaculares, apenas divertidos, o que já garantia a alegria das minhas tardes. E havia uma combinação maravilhosa, Roy cantava entre um sopapo e outro, ele foi membro fundador do grupo “Sons Of The Pioneers”, sempre acompanhado da bela Dale Evans, sua esposa na vida real.

Selecionei estes 2 títulos com base na memória afetiva, ambos fotografados em glorioso Trucolor, não vi (ainda) nem metade de suas aventuras, mas gostava bastante de rever “Os Sinos de San Angelo” e “A Trilha do Perigo”. Um ponto em comum nos dois, que só fui perceber muitos anos mais tarde, a presença do diretor WILLIAM WITNEY, admirado por Steven Spielberg e Quentin Tarantino, um dos grandes injustiçados da era de ouro, ele comandou muitos dos mais marcantes episódios de séries como “Bonanza”, “Chaparral”, “Zorro”, “James West”, os melhores filmes de Roy Rogers, a pérola pouco lembrada “Gângsters em Fúria” (The Bonnie Parker Story – 1958), além de seriados de cinema, como “As Aventuras do Capitão Marvel” e “Legião do Zorro”.

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Os Sinos de San Angelo (Bells of San Angelo – 1947)

Um guarda de fronteira suspeita de uma mina clandestina no México e investiga seus desonestos exploradores, até que descobre uma passagem secreta entre a mina e o território americano.

Nesta segunda aventura em cores do herói, Dale Evans recebe maior atenção, vivendo uma escritora de livros fantasiosos sobre o Velho Oeste. O charme dela na sequência em que canta “I Love the West” é encantador, inicialmente constrangendo Roy (as suas reações são hilárias), depois se apropriando graciosamente de seu estilo. A competência do diretor William Witney se faz presente nas coreografias de ação, especialmente as cenas de pancadaria, ainda hoje eficientes. E destaco também a bela canção “Cowboy’s Dream of Heaven”. O roteiro de Sloan Nibley, à pedido do diretor, inseria mais violência na fórmula, na tentativa de mudar um pouco a imagem de bom moço do protagonista, um realismo coerente ao cenário do pós-guerra, algo que foi notado pela crítica na época.

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A Trilha do Perigo (Down Dakota Way – 1949)

Um homem de negócios corrupto está tentando vender gado infectado com a doença mortal da febre aftosa. Ele tem o veterinário local assassinado para encobrir seus planos.

Eu gosto deste especialmente por destoar da fórmula agradável, o roteiro é sóbrio, toca em temas sombrios, tem uma pegada Noir, não é escapista e descartável. Rogers enfrenta um barão de gado corrupto, disposto a empregar métodos criminosos para encobrir a febre aftosa em seus animais. Um dos pistoleiros contratados pelo barão é diretamente relacionado à infância do herói, ele é o filho adotivo de seu professor favorito, elemento que serve como gatilho para questionamentos morais raramente trabalhados em filmes direcionados ao público infanto-juvenil.

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