Crítica de “Mama Colonel”, de Dieudo Hamadi

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Mama Colonel (Maman Colonelle – 2017)

Coronel Honorine, mais conhecida como “Mamãe Coronel”, trabalha para a polícia da República do Congo, à frente da unidade de proteção a menores e combate à violência sexual. Depois de trabalhar por 15 anos em Bukavu, leste do país, ela acaba de saber que foi transferida para Kisangani, onde terá que enfrentar novos desafios. Através do retrato desta mulher, o filme discute assuntos como a violência contra mulheres e crianças, e a dificuldade de superação das guerras do passado.

É muito eficiente a forma como o documentário inicia, evidenciando o impacto positivo da presença de Honorine na rotina daquele povo humilde, chocando o público com os relatos francos de mães preocupadas com a possibilidade dela se ausentar, clamando: “quem vai defender nossas filhas?”, um retrato que, apesar de algumas escolhas estéticas questionáveis, dedicando tempo excessivo em algumas situações sem relevância direta ao tema, ganha força pelo espírito combativo e resoluto da homenageada.

Ao mesmo tempo em que o diretor congolês Hamadi não se priva de captar os rostos das crianças sofridas, ele também deixa claro, na espontânea operação de câmera, que, remando contra a corrente de vários documentaristas menos éticos, manipuladores que prezam apenas o gatilho emocional, não há qualquer tipo de teatralidade envolvida nas cenas, nada é cenicamente planejado ou forjado. Se este caminho tende a produzir alguma gordura extra, por outro lado, ganha pontos preciosos pela busca da verdade do momento.

E quando vemos Honorine corajosamente confrontando os debochados parentes de uma criança brutalmente agredida com vara, uma “zumbi”, nas palavras da policial, a admiração por aquela profissional compensa todas as compreensíveis limitações do baixíssimo orçamento. A reação da tia agressora, que se vitimiza pateticamente diante das figuras de autoridade, o olhar assustado da vítima, que, como a câmera sempre enfatiza, está sendo protegida o tempo todo pela nobre senhora, que a segura pela mão. O coração da obra está sempre no lugar certo.

Talvez a sequência mais revoltante seja aquela em que acompanhamos Honorine em uma comunidade que agride crianças porque, na crença torta dos adultos, elas exibem traços de feitiçaria. A inocência sendo sacrificada pela estupidez religiosa. “Mama Colonel” não entrega respostas, nem é este seu objetivo, ele apenas incita questionamentos espinhosos e uma profunda reflexão.

Cotação: 3 stars - Crítica de "Mama Colonel", de Dieudo Hamadi

  • O filme está sendo exibido no CINE JOIA (Copacabana – RJ).

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Octavio Caruso
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