Rebobinando o VHS – “Vítimas de Uma Ilusão”, de Stuart Hagmann

0

museu1peq 1 - Rebobinando o VHS - "Vítimas de Uma Ilusão", de Stuart Hagmann

Vítimas de Uma Ilusão (Believe in Me – 1971)

Remy (Michael Sarrazin) é um estudante de medicina que gosta de deixar seus pacientes confortáveis. Sua preocupação genuína com os pacientes sob sua responsabilidade o marca como promissor em seu programa de estágio. Pamela (Jacqueline Bisset) trabalha em uma editora de livros infantis. Eles se apaixonam e, logo depois, o casal começa a adotar na rotina o uso de psicotrópicos.

Eu ganhei de presente de um amigo querido, Lahire Marinho (que atuou em meu curta “Cinéfilo”), também colecionador, esta pérola rara em VHS, coloquei para rodar no aparelho esta manhã e tive uma grata surpresa. Ao contrário do que imaginei, levando em conta ser um projeto obscuro da MGM do início da década de 70, o roteiro envelheceu muito bem, não é melodramático em excesso, trata o tema com segurança e elegância, mostrando a vida de um casal se transformando em um verdadeiro inferno. É curioso perceber como os tempos mudaram, como os valores se inverteram, nos dias de hoje, até um programa televisivo brasileiro matinal faz apologia sorridente aos psicotrópicos sem remorso.

O competente roteiro de Israel Horovitz é inspirado em um artigo da jornalista Gail Sheehy, sobre a irmã dela, e encontra na direção de Stuart Hagmann (de “Morangos Amargos”) a mão firme necessária, apesar de, por pressão dos produtores, John G. Avildsen (de “Rocky”) ter sido convocado para refilmar algumas cenas e inserir momentos mais leves, já que o corte inicial chocou pelo extremo (e sombrio) realismo. Eu fico curioso para ver o material que foi perdido, quase 50 minutos que foram cortados.

O resultado final é, apesar de tudo, muito coeso, equilibrando bem o primeiro ato quase idílico, representando a pureza dos personagens, e o restante, que mostra a transformação gradual deles em escravos, focando não apenas no contraste físico, como também no impacto daquela nova rotina em seus ambientes profissionais. Bisset e Sarrazin entregam esta transição na sutileza de olhares e gestos, seres que vão perdendo a vaidade e a noção do que é dignidade.

O mestre François Truffaut ficou tão impressionado com a atuação de Bisset, que logo a convidou para seu maravilhoso “A Noite Americana”.

* Você consegue encontrar o filme para baixar garimpando na internet.

Trilha sonora composta por Fred e Meg Karlin, cantada por Lou Rawls:

Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here