“Death Race 2000” (1975), de Paul Bartel

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Death Race 2000 (1975)

No futuro, o esporte nacional americano é uma corrida transcontinental na qual um dos quesitos mais importantes para apontar o vencedor é o número de pessoas que cada corredor tenha conseguido atingir pelo caminho.

É comum ler em análises modernas sobre o filme que se faz necessário ignorar o “politicamente incorreto”, argumento que já me irrita sobremaneira. O filme é uma expressão artística eterna, enquanto que esta tola ferramenta politiqueira de censura já nasceu com prazo de validade vencido.

A obra do lendário produtor Roger Corman consegue, com baixíssimo orçamento, divertir e fazer pensar, inserindo reflexões bastante corajosas sobre variados temas, como a ligação entre violência e o entretenimento, o tratamento dado aos idosos na sociedade e, algo bastante atual, uma distopia em que um país controlado por uma ditadura (cuja bandeira é um punho cerrado e levantado), instaurada após uma grave crise financeira, promove um massacre sem qualquer remorso, com seu líder prometendo um “novo tempo de fartura e privilégios para as minorias”.

Há um atrativo extra na presença adoravelmente caricatural de David Carradine e Sylvester Stallone (um ano antes de “Rocky”), como os pilotos principais, mas os fãs de Karatê Kid vão gostar de ver Martin Kove, o sensei do Cobra Kai, numa participação rápida e marcante. O carisma do elenco é um elemento fundamental, superando compreensíveis derrapadas do roteiro, como a inegável quebra de ritmo toda vez que a história se foca no descanso dos guerreiros nos intervalos da corrida. O projeto que nasceu como desculpa para lucrar fácil surfando na onda de divulgação de “Rollerball – Os Gladiadores do Futuro” acabou se tornando mais relevante na cultura pop que seu primo rico.

Corman injetou gore, retirando boa parte das cenas cômicas trabalhadas pelo diretor Paul Bartel, decisão acertada, pois manteve a acidez crítica do humor sem prejudicar o necessário (por mínimo que seja) senso de perigo nas cenas de ação.

Não é um grande filme, mas segue charmoso e corajoso, cultuado por fãs no mundo todo.

Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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