“Três Dias de Vida”, de Raoul Walsh

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Três Dias de Vida (Uncertain Glory – 1944)

Jean Picard (Errol Flynn), larápio muito procurado, é finalmente apanhado. A guilhotina espera-o, e o detetive Marcel Bonet (Paul Lukas) pretende assistir ao encontro de Picard com o carrasco, apesar de existir uma guerra em curso. Enquanto isso, os alemães capturaram 100 reféns franceses, e ameaçam executá-los um a um para forçar o sabotador da resistência a se entregar. Picard decide então ter um gesto altruísta – entregar-se como o sabotador, para assim salvar a vida dos 100 reféns. A Picard restam-lhe agora três dias de vida. Três dias em que ele vai procurar ser o homem que gostaria de ser.

Esta pérola injustamente pouco lembrada do grande Raoul Walsh é uma das melhores incursões de Errol Flynn em sua fase patriótica, durante a Segunda Guerra Mundial, período em que ele, que tentou efetivamente participar das batalhas, mas foi rejeitado por problemas de saúde, buscou ajudar da forma que podia com sua arte nos esforços contra o regime alemão.

O maior mérito do roteiro de László Vadnay e Max Brand é remar contra a corrente, ao invés de empolgantes cenas de ação, ele se debruça no drama humano, moral e ético. Uma das cenas mais fortes mostra a reação desconsolada do padre da região ao entender que seus fiéis estavam dispostos à incriminar injustamente um estranho, na tentativa de liberar os reféns. O diálogo que se segue é implacável, com o religioso reforçando que o absurdo cometido pelos alemães contra inocentes não será um peso na consciência do povo correto, mas que revidar cometendo o mesmo erro seria uma cruz pesada demais, igualar-se ao inimigo nunca é medida justificável.

O carisma de Flynn, em momento inspiradíssimo, garante a fluidez dos alívios cômicos, com seu personagem malandro gradativamente conquistando o respeito do detetive vivido brilhantemente por Paul Lukas. O duelo é, mais que tudo, um aprendizado para os dois, Picard descobre a transcendentalidade da vida (ou como ele se refere, o “algo mais”) e deseja ser melhor aos olhos da jovem por quem se apaixona, vivida pela belíssima Jean Sullivan, enquanto que o experiente oficial da justiça compreende que também é importante confiar no potencial humano para o bem.

“Três Dias de Vida” é uma obra que merece constar na coleção de todo cinéfilo dedicado.

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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