“Estado de Calamidade”, de Rob W. King, no TELECINE

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Estado de Calamidade (The Humanity Bureau – 2017)

No ano de 2030, o meio ambiente sofre muito devido ao aquecimento global e o estado vive em recessão. Na tentativa de controlar a crise econômica, uma agência governamental chamada The Humanity Bureau exila membros da sociedade considerados improdutivos para uma colônia conhecida como Novo Éden. Um assistente social ambicioso e imparcial, Noah (Nicolas Cage), investiga o caso de uma mãe e seu filho. Sabendo do injusto destino do garoto inocente, ele parte para salvar suas vidas e expor a verdade.

“É mais fácil construir o medo do que construir um muro.”

Na época do lançamento, dediquei maior atenção aos aspectos técnicos, falhas óbvias (algumas que podem ser colocadas na conta do baixo orçamento, outras não), mas revendo hoje, imerso no processo de engenharia social em escala global, percebi que todos os problemas são compensados pela crítica certeira que a trama apresenta, a distopia totalitária sustentada por mentiras desumanas, crises teatralizadas e espantalhos ambientalistas já não parece uma realidade tão distante, muito pelo contrário, “Estado de Calamidade” é mais honesto do que muitos documentários ideologicamente enviesados.

O protagonista Noah (Cage), logo no início, conversando com um idoso que, por ter vivido o passado livre, demonstra sua irritação com o “novo normal”, enfatiza: “Você precisa ser um cidadão produtivo, esta é a lei, você é um peso para a sociedade”, pessoas acima dos 60 anos na visão dos titereiros do caos devem ser exterminadas, e, claro, aqueles que executam esta medida são vendidos publicamente como os maiores defensores da empatia. O sistema vigia tudo e todos, o conceito de privacidade é irreconhecível, o controle é supremo. Aqueles conservadores, como o idoso, que se recusam a partir de suas moradias no ambiente “infectado” devem ser presos e silenciados. O argumento é sempre o mesmo: a medida é para o seu bem.

A negociação termina mal, o homem é abatido, Noah é promovido por seus superiores, mas internamente se inicia um conflito, ele entende que há algo muito errado naquela atitude, o povo está apavorado, uma marcha fúnebre de marionetes guiadas pelo terrorismo psicológico transmitido diariamente na imprensa, sendo mantidas em situação humilhante, bebendo água contaminada, impedidas de plantar em terrenos apodrecidos. Noah começa a se questionar, ele recorda que em sua infância havia fartura, antes da ameaça da “radiação” se estabelecer no cotidiano e, rapidamente, modificar tudo. Ele fica ainda mais perturbado quando entra em contato com uma jovem mãe rebelde que cria sozinha um garoto sonhador e sensível.

Não vou estragar a experiência com spoilers, apenas indicar que você procure a obra, talvez suscite boas reflexões ao final da sessão.

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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