Crítica da série “O Método Kominsky”, de Chuck Lorre, na NETFLIX

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O Método Kominsky (The Kominsky Method – 2018/2021)

O professor de teatro Sandy Kominsky (Michael Douglas) e seu melhor amigo Norman Newlander (Alan Arkin) enfrentam as alegrias e tristezas da velhice com muito bom humor.

Encontrar uma pérola como esta série nos dias atuais é tão difícil quanto tropeçar em uma barra de ouro durante um passeio na praia, o maldito “politicamente correto” está conseguindo destruir rapidamente tudo o que é culturalmente relevante, mas o refinado texto do criador, Chuck Lorre, não somente desvia das arapucas usuais, como debocha do mal desta geração mimada (representada claramente nos alunos de Sandy), infantilizada, confusa nas questões existenciais mais básicas, que deseja publicamente mudar o mundo, entre uma selfie e outra nas redes sociais, mas não sabe sequer arrumar o próprio quarto.

É claro que, em alguns momentos, ele insere breves críticas ao espectro político oposto, mas faz de forma tão caricata, que passa a impressão de que está apenas afagando minimamente os censores da agenda progressista, para que a mensagem seja transmitida, afinal, é preciso saber jogar o jogo.

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A estrutura da série é muito inteligente, poucos episódios por temporada, curto tempo de duração em cada episódio, não há gordura extra, nem firulas técnicas desnecessárias, o foco está nos personagens e na trama, em suma, o método clássico. Ao fazer graça das situações extremamente reais compartilhadas por todos que, com sorte, não se perdem na jornada da vida, de problemas de saúde à frustração profissional, dos impulsos românticos ao processo de luto (vale ressaltar, trabalhado sempre com brilhante leveza), os roteiros conquistam identificação imediata, logo, garantem o investimento emocional do público pela intensa honestidade na entrega.

A química entre Michael Douglas e Alan Arkin domina as duas primeiras temporadas, que conta também com participações marcantes de Danny DeVito, Sarah Baker, Nancy Travis, Paul Reiser, Ann-Margret, Haley Joel Osment e a belíssima Jane Seymour. A última temporada perde um pouco com a ausência do humor árido, irônico, de Arkin, que decidiu se afastar da carreira, mas compensa no maior desenvolvimento que é dado aos personagens secundários, principalmente a (primeira) ex-esposa de Sandy, vivida por Kathleen Turner, parceira de Douglas em tantos projetos cinematográficos, o reencontro adiciona ainda mais calor humano ao projeto.

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Acompanhar o personagem de Douglas tentando compreender como o mundo se tornou um ambiente tão insuportável é hilário, remete ao filme protagonizado por seu pai, o grande Kirk: “Os Últimos Durões”. Ele se choca com o desinteresse de boa parte dos alunos com a memória cultural, pois, com sua sensibilidade, reconhece que pouco pode fazer para impedir que o trem descarrilado atravesse o precipício, ele entende que, apesar de sua vida inteira dedicada à arte, ao nobre trabalho de formar atores, talvez o maior beneficiado tenha sido ele mesmo, que verdadeiramente amou cada segundo de sua estadia na experiência.

O bonito desfecho, uma redenção artística melancólica, reforça esta constatação, de todas aquelas almas que ele tentou tocar, apenas uma realmente possuía a força interna de aprender e, por conseguinte, crescer. Nos olhos marejados, acalentado pelas luzes da ribalta, o homem aceita que fez o possível, já é dificílimo enfrentar os desafios diários, mas ele encontra finalmente a paz, cumpriu a missão. Nós aplaudimos de pé.

Cotação: Azhar movie Star Ratings 2 - Crítica da série "O Método Kominsky", de Chuck Lorre, na NETFLIX

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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