No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não é entregar uma longa análise crítica, algo que toma bastante tempo, mas sim, uma espécie de drops cultural, estimulando o seu garimpo (lembrando que só serão abordados filmes que você encontra com facilidade em DVD, streaming ou na internet). O formato permite que mais material seja produzido, já que os textos são curtos e despretensiosos.

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Tempo Para Amar, Tempo Para Esquecer (The Happy Ending – 1969)

Uma mulher (Jean Simmons) de meia-idade abandona o marido (John Forsythe) e a família em uma tentativa desesperada de se encontrar.

O diretor Richard Brooks vivia seu melhor momento na indústria, após o sucesso de “Os Profissionais” e “A Sangue Frio”, mas, ao invés de se acomodar, decidiu correr riscos, inclusive assinando o roteiro, entregando este retrato devastador, pungente, de um relacionamento amoroso em estágio de agonia, tendo na figura da protagonista, a sua própria esposa, a grande Jean Simmons.

A opção pela estrutura narrativa em flashback facilita para o público entender (e sofrer com) o esfacelamento do casal, uma proposta coerente com a abordagem intensamente realista, suscitando reflexões sobre o verniz mitificado do casamento como ritual, além de criticar abertamente (como exposto no título original, “final feliz”) o papel da fábrica de sonhos, o cinema, neste constructo social.

Mary (Simmons) é uma cinéfila inveterada, o primeiro encontro com seu marido foi em uma sessão drive-in, os dois estavam imersos naquele romantismo ingênuo, algo que a acompanhou até no dia do casamento, a fantasia idealizada da arte supria todas as suas necessidades, situação que se modificou radicalmente quando o mundo real invadiu sem convite seu cotidiano.

Um filme que definitivamente merece ser redescoberto, retirado das estantes empoeiradas do tempo.

  • Você encontra o filme garimpando na internet.

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Viva você também este sonho...

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