Steve (2025)
O roteiro acompanha um dia crucial na vida do diretor de um reformatório inglês dos anos 90, Steve, interpretado por Cillian Murphy, que luta para manter a escola aberta e proteger a integridade dos jovens enquanto lida com sua própria saúde mental deteriorada pela exaustão. Paralelamente, a trama acompanha Shy (Jay Lycurgo), um jovem interno complexo, que precisa lidar com traumas do passado e impulsos autodestrutivos.
O diretor belga Tim Mielants e o roteirista Max Porter, adaptando seu livro “Shy”, entregam um dos melhores filmes do ano, uma proposta simples, emocionalmente madura, com um terceiro ato brilhante.
No breve momento, ainda nos primeiros trinta minutos, em que Steve emula em tom de deboche a afirmação positivista frágil (“eu nunca vou desistir de você”) enquanto conversa com um interno bastante agressivo, o filme declara abertamente a sua postura realista diante da situação, material que o próprio cinema diversas vezes abordou com ingenuidade em tramas sobre professores e alunos objetivando as lágrimas do público, oferecendo respostas fáceis para perguntas muito difíceis. A intenção nobre da cena só funciona porque há sincera contundência nos diálogos e uma atuação visceral, despida de vaidade, por parte de Cillian Murphy.
A forma como a trama insinua a identificação que ocorre entre Steve e o jovem Shy, almas perturbadas separadas pelo véu da autoridade, além de inteligente e sensível, ajuda a estabelecer com segurança o papel fundamental dos profissionais da educação verdadeiramente vocacionados, principalmente aqueles que sacrificam a própria saúde mental na tentativa de resgatar das sombras do desprezo os que são tidos pela sociedade como casos perdidos.
A estética de documentário utilizada potencializa o senso de autenticidade brutal, o recurso não soa gratuito. “Steve” é um dos raros projetos atuais que não acabam nos créditos finais, a sua mensagem e a força da interpretação do elenco vão se manter em sua mente dias após a sessão.
Cotação:
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