Hamnet – A Vida Antes de Hamlet (Hamnet – 2025)

O filme narra a trágica história de Agnes (Jessie Buckley) e seu marido, o famoso escritor William Shakespeare (Paul Mescal), lidando com o falecimento de seu filho de 11 anos, Hamnet, no século XVI. A trama foca no luto, na dor e na transformação desta perda na obra-prima Hamlet.

As minhas experiências anteriores com o trabalho da diretora chinesa Chloé Zhao foram bastante negativas, você pode ler minha crítica de “Nomadland” (2020) clicando aqui, nela já alertava em detalhes para o terrível fenômeno que está destruindo a arte crítica moderna, a expectativa criada artificialmente por lobby ou politicagem, utilizando a imprensa como fantoche.

Não achei estranho quando a máquina entregou logo depois para ela “Eternos” (2021), na seara de super-heróis da Marvel, uma proposta obviamente equivocada que jamais seria cogitada na época em que os filmes mainstream eram pensados para satisfazer a demanda do público.

Trocando em miúdos, o sistema hoje consegue facilmente vender até mesmo projetos que foram detestados em exibições-teste, problemáticos em vários níveis, como sucessos inquestionáveis de valor transcendental. Quando o receptor desiste de raciocinar, a manipulação não encontra resistência.

A indústria arruma espaço generoso para a divulgação, dá prêmios, faz o espetáculo forçado da mentira (que granjeia o respeito apenas dos seus cúmplices), o que importa é a mensagem que a obra transmite, se ela está de acordo com os rumos que os titereiros do caos decidiram para a sociedade. O cinema pensado unicamente como ferramenta de engenharia social.

devotudoaocinema.com.br - Crítica de "Hamnet - A Vida Antes de Hamlet", de Chloé Zhao

“Hamnet”, o seu novo trabalho, foi vendido pela imprensa desde o início como algo maravilhoso, nota 15 de 10, material que seria capaz de operar verdadeiros milagres, com os adolescentes youtubers glorificando o esforço em suas imagens de capa com caretas infantilizadas, em suma, percebi logo que se tratava de mais um rasteiro exercício psyop, dos mesmos idealizadores do repentino amor do povo por patéticos doramas chineses e do (financiado) processo de (intencionalmente) humilhante destruição de todos os símbolos culturais fortes da civilização ocidental.

A impressão se confirmou na sessão, e, enquanto escrevo este texto, alguns fantoches já defendem o discurso de que o filme “não é tudo isso, mas está tudo bem”, o efeito (lucrativo) da histeria já passou, a corrida pela ascensão profissional dos mais canalhas segue frenética, uma disputa para ver quem sinaliza melhor que é corruptível, a verdade e o respeito pela arte são os primeiros que tombam nesta arena.

devotudoaocinema.com.br - Crítica de "Hamnet - A Vida Antes de Hamlet", de Chloé Zhao

O filme não é tudo isso mesmo, sendo mais objetivo, ele é bem pouco, quase nada, uma execução entediante de uma diretora que já provou ser muito limitada. Visualmente, ele encanta por algum tempo, mas o arrastado primeiro ato falha em manter o interesse, analisando as escolhas narrativas, levando em conta a beleza da proposta, parece que Zhao se esforça em travar a imersão emocional do público.

Os personagens são tratados como tiras de cartolina, não há autenticidade nas atitudes e nos diálogos, e, em alguns momentos específicos (como na cena em que o protagonista enfrenta um bloqueio de criatividade), eles ainda são prejudicados por decisões conscientes na sala de edição.

A espetacularização da dor perturba, não há recompensa emocional, o resultado é artificial, extremamente forçado (não há um pingo de sutileza), o senso de elegância é puramente estético. E, vale ressaltar, há liberdades tomadas que vão incomodar aqueles que verdadeiramente conhecem e estudam o conjunto de obra de Shakespeare. Para estes, a paciência com esta fanfic psicologicamente adolescente será testada arduamente no terceiro ato.

Cotação: devotudoaocinema.com.br - Crítica de "Hamnet - A Vida Antes de Hamlet", de Chloé Zhao

  • O filme está sendo exibido nas salas de cinema brasileiras.

Trailer:



Viva você também este sonho...

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