Nuremberg (2025)
Um psiquiatra (Rami Malek) da Segunda Guerra Mundial avalia líderes nazistas para os julgamentos de Nuremberg. Ele fica obcecado em compreender o mal, formando um laço perturbador com Hermann Göring (Russell Crowe).
O currículo de James Vanderbilt simplesmente não combina com a densidade dramática necessária para o tratamento do tema.
Como roteirista, ele assinou tolices como “Pânico 6” (2023), “A Fonte da Juventude” (2025), “Independence Day – O Ressurgimento” (2016), Bem-Vindo à Selva” (2003) e “O Espetacular Homem-Aranha” (2012), entregou também projetos menos fracos como “Conspiração e Poder” (2015) e um legítimo bom filme: “Zodíaco” (2007), dirigido por David Fincher.

A sua limitação é perceptível logo nos primeiros minutos, apesar da intenção ser claramente honesta. A construção das cenas, os diálogos (ponto mais fraco), tudo é pensado para facilitar ao máximo a compreensão do público infantilizado moderno. O maior problema do filme é o inescapável convite à comparação com o clássico “Julgamento em Nuremberg” (1961), do grande Stanley Kramer.
Não é exatamente justo, levando em conta o contexto atual cognitivamente rasteiro do espectador de hoje, uma abordagem madura como aquela seria insuportável para quem não consegue manter a atenção na tela por mais do que dois minutos, mas é importante não fechar os olhos para o perigo de se banalizar este recorte histórico.
A trama, baseada no livro “The Nazi and the Psychiatrist”, de Jack El-Hai, passeia pelos acontecimentos, funciona bem como aula básica para quem nunca leu nada sobre o assunto, mas falha ao não se aprofundar nas questões psicológicas, morais e por plantar sutilmente algumas questões que abrem espaço para dúvidas eticamente equivocadas.

Vale lembrar que vivemos em uma era intensamente cretina dominada por uma nova geração que lê “O Diário de Anne Frank” como pueril romance de ficção, depois reclama na avaliação da loja que “não gostou do final”.
A responsabilidade ao se tratar o tema precisa ser gigantesca, manter o tom de seriedade não é suficiente, armadilhas maquiadas não capturam aqueles que estudaram a fundo o caso. Aos interessados, recomendo fortemente os livros “The Road to Nuremberg” (de Bradley F. Smith) e “O Processo de Nuremberg” (de Joe J. Heydecker e Johannes Leeb).
A estrutura narrativa é previsível, como se houvesse uma intenção consciente de reduzir à caricatura teatralizada os personagens e situações, o ritmo lento (incrivelmente não há senso de urgência) não torna a realidade convincente, o elenco é irregular, Rami Malek repete pela enésima vez a sua versão de Rami Malek, leia-se, um tipo irritante cheio de cacoetes, Russell Crowe finalmente decide atuar fora da área de conforto que abraçou na última década, consegue captar bem o elemento arrogante e ameaçador de Göring, mas o viés comportado da experiência não permite voos desafiadores.
“Nuremberg” não alcança a gravidade emocional necessária, o esforço é respeitável, a fotografia do polonês Dariusz Wolski não compromete, mas também não agrega nada que eleve o resultado, atua no piloto automático. É uma pena.
Cotação: ![]()
- O filme estreia nesta semana nas salas de cinema brasileiras.
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