Críticas

Crítica de “Parque Lezama”, de Juan José Campanella

Parque Lezama (2026)

O novo trabalho do competente diretor argentino Juan José Campanella, sobre a amizade improvável entre León (um ex-militante comunista) e Antonio (um homem conservador). Eles se encontram diariamente em um banco de praça, debatendo política, memórias e vida.

Ao adaptar a premiada peça “I’m Not Rappaport“, de Herb Gardner, transferindo o cenário, do Central Park de Nova Iorque para o Parque Lezama de Buenos Aires, o roteiro agrega à alegoria original uma camada extra, levando em conta a importância do local, um símbolo histórico associado à fundação da cidade em 1536.

Neste microcosmo ressignificado, o idealismo político coerentemente toma lugar de destaque, propondo reflexões muito atuais por um viés de rara maturidade emocional, com leveza e um adorável senso de humor. Vale ressaltar que o resultado é muito superior à primeira adaptação da obra, “Rabugentos e Mentirosos” (1996), com Walter Matthau e Ossie Davis, que era dirigida pelo próprio autor.

Luis Brandoni (León) e Eduardo Blanco (Antonio) já vivem os personagens há mais de 11 anos nos palcos, mais de 1.170 apresentações, uma cumplicidade que transparece cristalinamente em cada cena.

Cada fala, cada olhar, transmite profunda verdade, você nem sente o tempo passar, a sensibilidade usual de Campanella, apaixonado pela peça, favorece tremendamente o jogo cênico, presenteando o público com o registro definitivo da história, com a câmera potencializando momentos que, pela própria natureza grandiloquente do teatro, acabariam se perdendo, como pausas inesperadas, intenções subliminares por trás do simples arquear da sobrancelha, sutis expressões que entregam mais do que qualquer diálogo.

“Parque Lezama” é, desde já, um dos melhores filmes do ano.

Cotação:

  • O filme está disponível na plataforma de streaming NETFLIX.

Trailer:

Octavio Caruso

Viva você também este sonho...

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