Mestres do Universo (Masters of the Universe – 2026)

O Príncipe Adam (Nicholas Galitzine) caiu na Terra quando criança e perdeu a Espada do Poder de Grayskull. Duas décadas depois, ele recupera o artefato e é transportado de volta para seu planeta natal, Etérnia. Ele precisa assumir o manto de He-Man e desvendar seu passado para salvar o universo das forças do vilão Esqueleto (Jared Leto).

Eu era criança quando o desenho do He-Man explodiu no Brasil, vivi intensamente a experiência, tive festa de aniversário temática, brincava com os bonequinhos, então lembro bem do que senti quando meu pai alugou a fita VHS do filme. Não foi mágico, não foi empolgante, o roteiro não aproveitava quase nada do material original. A vontade de assistir aos personagens em carne e osso era tanta, que nossa imaginação supria lacunas e melhorava um pouco o produto final.

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E, por décadas, o herói foi esquecido, virou motivo de deboche, algo triste até, esta gradativa transformação refletiu o modo como o mundo se tornou cínico, frio, como as pessoas se tornaram ingratas, não havia mais espaço para a pureza infantil, os valores dos avós se tornaram alvo de uma campanha de deslegitimação, os vilões se tornaram bonzinhos, os heróis precisavam ser desconstruídos, humilhados, uma agenda óbvia que culminou na realidade grotesca que qualquer pessoa lúcida enxerga claramente nos dias de hoje.

devotudoaocinema.com.br - Crítica de "Mestres do Universo", de Travis Knight

As horrorosas recentes animações produzidas não ajudaram no processo de divulgação inicial deste novo projeto, mas já nos acostumamos com a indústria desrespeitando a memória afetiva do público no que tange a todos os símbolos culturais ocidentais, baixar a expectativa é obrigatório.

Mas nos últimos meses, algumas atitudes da equipe de marketing surpreenderam positivamente, como um trailer utilizando a música do grupo infantil Trem da Alegria, fazendo marmanjo chorar. Como assim? O financiamento globalista acabou? A ordem agora voltou a ser entregar exatamente o que o público deseja? Será que o cinema de entretenimento deixou de ser vil instrumento de torta manipulação ideológica? E foi com estas dúvidas na mente que entrei na sessão do filme.

devotudoaocinema.com.br - Crítica de "Mestres do Universo", de Travis Knight

O diretor Travis Knight tem experiência em animação, ele comandou “Kubo e as Cordas Mágicas” (2016), redirecionou de forma simpática a franquia Transformers, com “Bumblebee” (2018), ele não é um visionário, mas já provou saber fazer um arroz com feijão satisfatório.

Há uma escolha narrativa na obra pensada inegavelmente para ser avalizada pelos patrulheiros woke, trata-se de uma história de origem, o protagonista começa bobo, infantilizado, incompetente, precisa ser salvo o tempo todo pela guerreira Teela (vivida pela bela e talentosa Camila Mendes). Na animação clássica e na versão de 1987, He-Man já estava estabelecido como o campeão de Etérnia. O seu disfarce no desenho como Adam não o tornava um completo imbecil, ele remetia ao Don Diego de la Vega, uma figura pacífica, um pouco desajeitada, mas inteligente.

Ao tomar este rumo, Knight abraça no primeiro ato uma intensa estrutura cômica, com cenas que flertam com o burlesco. Nada que ofenda, o humor funciona, graças ao carisma de Nicholas Galitzine, que compreende a proposta. Quando a trama se afasta da Terra, tudo começa a se encaixar melhor, o elemento fantasioso e a bonita mensagem ganham mais atenção.

Há alguns momentos que infelizmente são prejudicados pela inserção de piadas, aquele estilo que foi utilizado ad nauseam pela Marvel. A trama já é puramente cômica, os “alívios dramáticos” não podem ter seus efeitos reduzidos segundos depois de um crescendo épico, denota insegurança, permitir à obra respiros emotivos é um ato de carinho. A sua criança interna vibra, as lágrimas surgem, daí o roteiro subverte a conclusão da cena com alguma bobeira. Não é algo que estraga o filme, mas incomoda um pouco.

O saldo final é positivo, um ponto que considerei impecável em “Mestres do Universo” é a sua trilha sonora, a parceria entre Daniel Pemberton e o guitarrista do Queen, Brian May, capta bem o clima da década de 80, não aquela inspiração farsesca, brega, que várias produções retrô entregam atualmente, ela realmente ressuscita a energia única do período, aquela fonte criativa cristalina, um trabalho verdadeiramente brilhante.

OBS: Há três cenas pós-créditos relevantes, vale a pena aguardar.

Cotação: devotudoaocinema.com.br - Crítica de "Mestres do Universo", de Travis Knight

  • O filme estreia nesta semana nas salas de cinema brasileiras.

Trailer:

Trailer (com a música do Trem da Alegria):



Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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