No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não é entregar uma longa análise crítica, algo que toma bastante tempo, mas sim, uma espécie de drops cultural, estimulando o seu garimpo (lembrando que só serão abordados filmes que você encontra com facilidade em DVD, streaming ou na internet). O formato permite que mais material seja produzido, já que os textos são curtos e despretensiosos.
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O Segredo do Corcunda (1924)
Dois trabalhadores de uma plantação de café — um jovem e um homem mais velho — são demitidos pelo capataz da fazenda. No entanto, o jovem salva a vida da filha do proprietário, e ambos são readmitidos. A moça e seu salvador apaixonam-se; o capataz tenta matar o rapaz, mas acaba morrendo. Mais tarde, o jovem descobre que o capataz fora o responsável pela morte de sua mãe.
A internet é uma ferramenta maravilhosa para aqueles que, como sempre repito, honram o “sapiens” que sucede o “homo”. Neste exato momento, graças ao Archive.org, eu estou relendo fascinado a primeira edição da histórica revista “Cinearte”, lançada em 1926, criação do grande Adhemar Gonzaga.
Eu tenho na coleção em versão física algumas edições das décadas de 30 e 40, garimpadas de sebos, mas os primeiros números são raríssimos. Eu sou apaixonado pela sábia era silenciosa do cinema desde a adolescência, estudo seriamente o período, e, enquanto crítico, tento com frequência abordar estas pérolas, ainda que o interesse do público brasileiro seja mínimo, estes textos recebem poucos cliques, mas enxergo o que faço como missão de vida.
O diretor de “O Segredo do Corcunda”, produção da Rossi-Film, do italiano Gilberto Rossi, foi o também italiano Alberto Traversa, mas é difícil enxergar o seu talento e imaginar o impacto da obra com o público da época porque, como é comum neste país que despreza a memória cultural, a cópia que chegou nos tempos atuais, aos trancos e barrancos, perdeu trechos importantes que explicam boa parte da história. Mas, mesmo assim, para cinéfilos dedicados, assistir ao filme é uma experiência encantadora.
A sua estrutura emula a ação dos faroestes americanos que dominavam as telas, protagonizados por Tom Mix, entre outros, transportando a mitificação do cenário para a paisagem rural brasileira. É incrível notar a considerável influência da evolução narrativa que D.W. Griffith capitaneou neste modesto esforço.
- Você encontra o filme com facilidade no YouTube.