No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não é entregar uma longa análise crítica, algo que toma bastante tempo, mas sim, uma espécie de drops cultural, estimulando o seu garimpo (lembrando que só serão abordados filmes que você encontra com facilidade em DVD, streaming ou na internet). O formato permite que mais material seja produzido, já que os textos são curtos e despretensiosos.
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A Rosa de Ferro (La rose de fer – 1973)
Um jovem casal (Françoise Pascal e Hugues Quester) passeando decide andar em um grande cemitério. Quando a escuridão começa a cair, eles percebem que não conseguem encontrar o caminho para sair, e seus medos começam a dominá-los.
A filmografia do saudoso diretor francês Jean Rollin era algo que os cinéfilos brasileiros da minha geração só imaginavam lendo artigos sobre as obras em revistas de cinema importadas, você não encontrava nada em VHS, mas a descrição de seu estilo era fascinante.
Como o terror foi meu gênero de formação, esta era uma lacuna considerável, problema que só foi resolvido com a popularização da internet. Eu lembro de passar madrugadas baixando algumas de suas pérolas, e, infelizmente, também lembro que me decepcionei com boa parte delas. Visualmente, no aspecto criativo, ele era excelente, mas os roteiros não se sustentavam minimamente. Há exceções, gosto bastante de “As Uvas da Morte” (1978), apesar de ter pouca personalidade, e considero “A Rosa de Ferro” verdadeiramente brilhante. Uma espécie de releitura gótica e surrealista de Romeu e Julieta.
A trama conta com pouquíssimos diálogos, o foco é todo na construção de uma atmosfera onírica sombria, com o cenário do cemitério sendo utilizado como simbolismo óbvio (e eficiente) da impossibilidade de escapar do destino trágico. A escolha pelo minimalismo do elemento fantástico é inteligente, mantém a aura enigmática, instigante.
- O filme foi lançado em DVD no Brasil pela distribuidora Versátil. Você encontra com facilidade garimpando na internet.
Trilha sonora composta por Pierre Raph: