Punhos Sangrentos (Bloodfist – 1989)
Jake Ray (Don Wilson) é um ex-campeão de kickboxing que viaja para Manila, nas Filipinas, para vingar a brutal eliminação de seu irmão. Ele se envolve em torneios de luta clandestinos para encontrar o assassino.
A garotada na década de 90 alugava bastante as fitas protagonizadas por este injustamente pouco lembrado astro das artes marciais, Don “The Dragon” Wilson, campeão kickboxer lendário com 47 nocautes em quatro décadas, que exibiu seu talento nas telas em projetos de baixíssimo orçamento competentes. Gosto do seu trabalho especialmente em “Blackbelt” (1992).
Ele pode não ter hoje a mesma fama de colegas como Jean-Claude Van Damme e Steven Seagal, mas a sua jornada foi calcada em competições reais (a autenticidade de suas cenas de ação é inegável), o cinema foi apenas um veículo que ele utilizou para popularizar o esporte.
Aconselhado pelo amigo Chuck Norris, o jovem enxergou uma possibilidade de entrar na indústria, inicialmente aceitando os papeis que haviam sido rejeitados pelo japonês Sho Kosugi, que representava na época para o público norte-americano a figura do ninja nas pérolas da produtora Cannon Films.

A vida dele mudou quando foi procurado pelo saudoso mestre Roger Corman, cuja fascinante carreira o rapaz ainda não conhecia. Ao demonstrar tremenda segurança, graças à bênção da ignorância que eliminava qualquer traço de nervosismo, Don impressionou o padrinho espiritual da Nova Hollywood, que enxergou nele potencial até como ator dramático.
A esperteza de Corman se fez presente já na primeira parceria, uma consciente exploração do sucesso do azarão “O Grande Dragão Branco”, que havia surpreendido todos os executivos com suas salas lotadas, o veterano apostou as suas fichas em “Punhos Sangrentos” com a certeza de que havia um mercado ainda melhor nas prateleiras das locadoras de vídeo. E ele estava certíssimo, a produção custou modestos US$ 250.000 e arrecadou um total de mais de US$ 10 milhões.
A trama é inteligentemente simples, com pitadas de “Rocky” (1976) e um punhado generoso de “Kickboxer – O Desafio do Dragão” (1989), que estava sendo produzido ao mesmo tempo (sabe aquela olhadela marota na prova do colega da carteira ao lado?), com destaque para a tradicional sequência de treinamento, em que Don (sem utilizar dublê) corre pela encosta de um vulcão ativo nas Filipinas, uma estripulia absurdamente perigosa que jamais seria permitida no cinema atual.
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