quinta-feira, 25 de maio de 2017

TOP - 2008


1 - Sangue Negro (There Will Be Blood), de Paul Thomas Anderson
"... Um filme que parece pertencer à época de ouro da indústria, um refinado tratado sobre a ganância humana, sustentado pela atuação impecável de Daniel Day-Lewis..."


2 - Desejo e Reparação (Atonement), de Joe Wright
"... Como é bom ver o gênero do romance sendo tratado com inteligência e alguma ousadia. Melancólica e surpreendente, a trama é direcionada para adultos emocionalmente maduros..."


3 - Na Natureza Selvagem (Into The Wild), de Sean Penn
"... O elemento mais importante, o roteiro não faz do personagem um herói, muito pelo contrário, sublinha a irresponsabilidade inerente à sua decisão e, acima de tudo, no poderoso desfecho, a conscientização do erro cometido. O ser humano não precisa dos rituais, mas, sem dúvida, precisa ser humano..."


4 - Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness), de Fernando Meirelles
"... Eficiente por mostrar o horror real, aquele que se esconde nas sombras de nossas personalidades. Basta trancafiar alguém em um quarto e não alimentar a pessoa por várias semanas..."


5 - Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight), de Christopher Nolan
"... O Coringa representa o desapego a qualquer civilidade, a bestialidade sem censura ou códigos éticos. Fisicamente, ele não constitui um perigo para o Batman, mas sua anarquia pode tornar o herói uma caricatura aos olhos do povo..."


6 - O Orfanato (El Orfanato), de J.A. Bayona
"... Guardem esse nome, J.A. Bayona é um tremendo diretor. O roteiro consegue ser reverente aos medalhões do gênero, focando na maldade dos homens, o terror genuíno..."


7 - Juno, de Jason Reitman
"... Um comédia indie com estilo e substância, algo raro. O texto deliciosamente mordaz é defendido por um elenco inspirado, com destaque para Ellen Page. Atual e corajoso..."


8 - Wall-E, de Andrew Stanton
"... A maturidade dos temas abordados é superior ao que encontramos em muitos dos dramas pretensiosos, sisudos, adultos. O futuro sedentário, a máquina solitária, o amor como solução, a Pixar dá mais uma aula de sensibilidade..."


9 - Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country For Old Men), de Ethan e Joel Coen
"... O desenvolvimento é lento, o foco está na construção dos personagens, a ação que realmente empolga nasce de momentos aparentemente tranquilos, no pavor de não ser possível prever o que está na página seguinte do roteiro..."


10 - O Nevoeiro (The Mist), de Frank Darabont
"... Só pela crítica realizada ao fundamentalismo religioso, já mereceria destaque dentre tantas produções medrosas que são despejadas nas salas mensalmente. O terror nasce da expectativa, daquilo que não é visto, opção brilhante..."

sexta-feira, 19 de maio de 2017

"A Mulher Faz o Homem", de Frank Capra


A Mulher Faz o Homem (Mr. Smith Goes to Washington – 1939)
Inocente homem do interior (James Stewart) é convidado a se tornar senador dos Estados Unidos e aos poucos se descobre em um mar de lama que ameaça tudo o que ele acreditava em relação à bondade e ao caráter dos comandantes de seu país. 


A mão de Frank Capra pode pesar no piegas em certos momentos, mas poucos filmes souberam retratar tão bem o esforço de um elemento individual íntegro em um covil de serpentes. O roteiro nos apresenta um símbolo das reais qualidades que deveriam ser comuns aos homens que ingressam na política, mas deixando clara a razão que impede que essas qualidades sejam valorizadas: o ser humano é ambicioso. Apenas as crianças, seres ainda não tocados pelo instinto predatório dos adultos, conseguem enxergar os méritos na aparente causa perdida do protagonista. 

James Stewart me fez acreditar em Jefferson Smith. No famoso e emocionante discurso final do personagem no julgamento, exaurido física e mentalmente após horas falando ininterruptamente, apenas seu caráter o mantinha de pé. Nunca me esqueço da breve tomada que mostra o tímido sorriso de encorajamento do juiz, mesmo sabendo das poucas chances do rapaz. O juiz sabe que todos deveriam ter aquela coragem, mas, muito mais que isto, ele enxerga naquele alquebrado homem o motivo principal que o fez adentrar outrora em sua profissão.

* O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora "Classicline", com opção de dublagem em português.


"As Férias do Papai", de Henry Koster


As Férias do Papai (Mr. Hobbs Takes a Vacation - 1962)
Quando o cansado banqueiro Roger Hobbs (James Stewart) sugere à sua esposa (Maureen O'Hara) que os dois façam uma viagem romântica, ela sugere que eles tirem férias com a sua grande família. Mal imaginavam eles que mais de 10 pessoas iriam aparecer para essas "férias" e que um turbilhão de confusões estaria prestes a começar. 


Deliciosa comédia típica dos anos sessenta, com a bela Maureen O´Hara e James Stewart se divertindo fora de sua zona de conforto, em interpretação que o levou a receber o prêmio de Melhor Ator no Festival de Berlim. Com clara inspiração no trabalho de Jacques Tati, especialmente na cena em que Stewart confronta uma simples máquina e na sequência em que ele busca pássaros exóticos, o roteiro episódico abusa do humor físico e das inteligentes sacadas nos diálogos, incluindo também uma bela lição sobre união familiar. Excelente a sequência em que pai e filho se aproximam em um passeio de barco. 

Engraçado perceber a crítica que é feita à ascensão da televisão, que estava prejudicando a indústria de cinema, colocando-a como uma máquina maléfica (que só passa faroeste, uma possível piada interna com Stewart) que divide famílias. A presença do ídolo fabricado da época: Fabian, numa tentativa frustrada de emular o carisma de Elvis Presley, conduz para um desnecessário, ainda que breve, interlúdio musical. A trilha sonora de Henry Mancini emoldura com perfeição e habitual elegância a ótima produção.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

"Errado pra Cachorro", de Frank Tashlin


Errado Pra Cachorro (Who’s Minding the Store? – 1963)
Considero exagerada a influência de Frank Tashlin nos voos solo de Jerry Lewis, não vejo o segundo como um pupilo, mas, sim, como um professor generoso. Basta rever as obras de ambos os diretores, para constatar que muitas comédias do primeiro, especialmente aquelas fora da parceria com Martin/Lewis, não resistiram ao teste do tempo, enquanto que os filmes dirigidos por Lewis seguem com a mesma força. Tashlin iniciou profissionalmente na área da animação infantil, um traço leve que ele carregou para seus projetos adultos. Os críticos franceses adoravam filmes como “Ou Vai ou Racha”, “O Rei dos Mágicos” e “Artistas e Modelos”, que eu considero medianamente suportáveis, prejudicados pela união da leveza exagerada dele com a tendência de Lewis para o sentimentalismo.

Mas, dentre todos os seus filmes, o meu favorito é “Errado Pra Cachorro”. É um dos poucos em que a trama central não envolve um protagonista interessado em uma escalada social. Muito pelo contrário, o Norman Phiffier, vivido por Lewis, faz questão de merecer cada centavo recebido nos trabalhos mais inusitados, ficando revoltado ao descobrir que sua namorada, vivida pela bela Jill St. John, a ascensorista da loja de departamentos, na realidade, é a filha rica do dono. Ele é pobre e se sente honrado com sua condição, enquanto que o núcleo da família da namorada é mostrado sempre em tons caricaturais, pessoas que se mostram pouco confortáveis em sua grandiosa mansão. A câmera, em ângulos que enfatizam a antinaturalidade daquele elefante branco, como na sequência inicial, passeia lentamente pelo local, que, com ajuda de espelhos, acaba tomando dimensões ainda maiores. A forma encontrada por Tashlin para criticar esse mundo é inserir um elemento de caos, a anarquia representada por Lewis, o atrapalhado que, sem intenção, acaba destruindo toda aquela falsidade. A bagunça episódica remete aos trabalhos de Jacques Tati, que, tenho certeza, aprendeu muito com o norte-americano, basta comparar tematicamente o seu “Playtime”, de 1966, com o pouco citado: “Em Busca de Um Homem”, dirigido por Tashlin em 1957.

As soluções para as gags visuais são, como em todos os trabalhos do diretor, puro desenho animado, pedindo ao público total suspensão de descrença. A cena mais lembrada é, tenho certeza, uma criação de Lewis, o concerto na imaginária máquina de escrever, um conceito brilhantemente simples, executado com maestria. Gosto muito também da minimalista reação dele ao encarar as pinturas das rabugentas esposas da família Tuttle. O roteiro inventa vários momentos complexos e movimentados, porém, a genialidade está mesmo nas cenas menores, como uma ambientada dentro do elevador, com Norman, sua namorada e o pai dela. Não me canso de rever essa comédia que fez parte da minha infância.

* O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora "Classicline", com a opção da dublagem clássica em português.


sábado, 13 de maio de 2017

Segunda foto oficial das filmagens do curta "Se"


Argumento/Roteiro/Direção: Octavio Caruso

Direção de Fotografia: Sihan Felix
Direção de Arte: Cristina Caruso
Edição/Montagem: Sihan Felix
Maquiagem: Vanessa Caruso
Trilha Sonora: Sihan Felix
Fotos: Vanessa Caruso
Arte do pôster e banner: Laísa Roberta Trojaike

Elenco: Octavio Caruso, Mônica Foroni, Eduardo Doria, Tereza Filardy e Cristina Caruso. 

Produção: Coletivo Dacine