quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Nos Embalos do Rei do Rock - Entrevista com Ginger Alden / Introdução


A bela Ginger Alden, que estava noiva de Elvis Presley no ano da morte do eterno Rei do Rock, está lançando o livro de memórias “Elvis and Ginger”, onde conta com riqueza de detalhes sua história ao lado do músico. Ela esteve com ele durante sua fase mais complicada de saúde, enquanto outros viraram as costas. Com extrema gentileza, ela concordou em responder algumas perguntas minhas sobre um aspecto pouco abordado: o amor que ele sentia pelo cinema. E, num gesto de extremo carinho, elogiou minhas gravações cantando o repertório de Elvis e repetiu o gesto de Laura Truffaut (http://www.devotudoaocinema.com.br/2014/09/entrevista-com-laura-truffaut.html), fazendo questão de me enviar essa foto abaixo. Thanks, Ginger!



O – Durante o tempo em que viveu com Elvis, você se recorda de conversas sobre o período em que ele se dedicou ao cinema? Ele nutria carinho nostálgico por sua carreira como ator?

G - Elvis não comentava muito comigo sobre sua carreira no cinema. Nas vezes em que falava, sempre reforçava, como em uma tarde, que ele se sentia frustrado por ambicionar mais papéis sérios. Quando estávamos assistindo televisão e, eventualmente, um dos seus filmes estivesse sendo transmitido, ficávamos vendo um pouco. Ele então trocava de canal, virando pra mim e dizendo: “O mesmo roteiro, apenas locações diferentes”.

O – Quais eram os filmes favoritos de Elvis no período em que viveram juntos? Ele costumava assistir filmes em casa?

G - Ele era apaixonado por cinema e amava uma boa comédia, era seu gênero favorito. Nós assistíamos Monty Python, os filmes da “Pantera Cor-de-Rosa”, mas ele também gostava demais das aventuras de James Bond. Alguns nós assistíamos em casa, outros nas salas de cinema. Ele adorava especialmente Peter Sellers, ao ponto de ficar imitando ele, como o Inspetor Clouseau, em casa.

O – Elvis tinha alguma trilha sonora de cinema favorita que costumava escutar em casa?

G - Eu não me recordo de alguma trilha sonora específica que ele escutasse em casa, mas ele sempre deixava o rádio ligado, costumava dizer que: “Música é a linguagem universal”.

O – Elvis era um cinéfilo, costumava fechar salas de cinema nas madrugadas para poder assistir os filmes. Você tem alguma história curiosa, interessante, sobre essa paixão dele pelo cinema?

G - Ele alugava com frequência toda uma sala de cinema durante a madrugada. Ninguém se sentava em nenhuma poltrona em sua frente ou atrás. E, quando ele estava pronto pra assistir, ele só olhava para trás de seu ombro, gritando diretamente para o projecionista: “Roll em!” (algo como “pode rodar!”).

O – Dentre os filmes que ele protagonizou, qual é seu favorito? E, no cinema em geral, quais filmes/diretores você mais gosta?

G - Eu ainda preciso ver todos os filmes dele, mas quando criança eu lembro que adorava “Feitiço Havaiano” e “Amor a Toda Velocidade”. Gosto bastante de “Balada Sangrenta”. Os filmes dele fazem você se sentir bem, já que são muito divertidos, “pra cima”. Você acaba se surpreendendo, ao final, caminhando pela casa e cantando as canções. Eu gosto muito de cinema, mas como sou sulista, meu preferido sempre foi “E o Vento Levou”, dentre muitos outros.

O - Por favor, indique seu livro para os leitores brasileiros, que, como eu, são fãs do legado artístico de Elvis. E, por gentileza, deixe uma mensagem para os meus leitores.

G - O meu livro foi uma jornada muito emocional e espero que os fãs de Elvis o terminem com uma melhor compreensão dos últimos meses dele, do amor que sentíamos um pelo outro. Quero te agradecer pelo carinho e, para todos os seus leitores, fiquem bem, divirtam-se com o cinema e “Roll em!”.

***
Elvis amava o cinema e sonhava em se tornar um ator, como seu ídolo James Dean, cujas falas no clássico “Juventude Transviada” ele sabia memorizadas, depois de assistir inúmeras vezes. Assim que conseguiu se destacar no mundo da música, ele já sinalizou ao seu empresário, o mítico Coronel Parker, o interesse em adentrar o universo de Hollywood. Ele atuou em trinta e um filmes, num curto período de treze anos, conseguindo manter um incrível sucesso nas bilheterias, carregando sozinho nos ombros todas as produções. É comum se acreditar que foi uma década desperdiçada pelo astro, mas poucos estudam esse fenômeno com atenção. Seus filmes salvaram estúdios, proporcionaram a verba necessária para que clássicos hoje reverenciados recebessem luz verde. Os roteiros eram, em sua maioria, simples, mas continuam eficientes em seu propósito. Muitas das canções compostas para esses projetos são pérolas injustamente pouco valorizadas. Elvis contracenou com vários nomes importantes do cinema, como Barbara Stanwyck e até o inesquecível “Garoto” da obra-prima de Charles Chaplin: Jackie Coogan. Ele era um profissional amado e respeitado por todos aqueles com quem trabalhou, recebendo elogios por sua atuação até do diretor de “Casablanca”: Michael Curtiz. É fácil se unir ao coro do senso comum e afirmar que Elvis era um péssimo ator que fazia péssimos filmes... Mas a realidade é bem diferente, como irão descobrir nesse especial.

A Seguir: “Ama-me com Ternura”
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