Na Mira de 007: Parte 21 – Calando a Boca e Com o Pé na Porta!

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    007 – Cassino Royale (Casino Royale, 2006)

    Após os erros cometidos na última década, os produtores
    perceberam que haviam exagerado na quantidade de pirotecnia e efeitos especiais, especialmente em “Die Another Day”, e decidiram então realizar o próximo filme
    da velha maneira, com o valoroso uso dos dublês e ótimas ideias. Para se juntar
    aNeal PurviseRobert Wade, foi chamado o talentoso roteirista
    e diretorPaul Haggis. Juntos iriam ajudar a levar a primeira história
    criada porIan Flemingpara as telas. O primeiro grande problema da
    produção foi a saída de Pierce Brosnan. Uma longa lista de atores foi
    especulada como sendo possíveis candidatos. Nomes como Clive Owen, Hugh Jackman
    e Eric Bana, porém a escolha final foi tida como muito arriscada e execrada por
    uma plateia de fãs descontentes. Para a direção, escolheramMartin
    Campbell, que já havia feito um ótimo trabalho no primeiro filme de Brosnan, “Goldeneye”.
    Assim como Timothy Dalton, o novo James Bond também estava dedicando-se de
    corpo e alma ao projeto, afirmando ter lido todos os livros de Fleming e se
    baseado em dicas dadas por reais agentes do serviço secreto britânico. O
    escolhido para o papel foi o inglês de trinta e seis anos:Daniel Craig.
    Sobre o personagem, o ator disse na época: “Bond é um assassino, você consegue
    ver em seus olhos imediatamente. Do tipo que entra em um quarto e muito
    sutilmente checa o perímetro, procurando uma saída. Este foi o tipo de
    caracterização que eu queria
    ”.

    Em 14 de Outubro de 2005, os produtores confirmaram o nome
    do ator em uma coletiva de imprensa realizada em Londres. Foi o início de uma
    campanha de extremo mau gosto e preconceituosa contra Craig. Muitos fãs
    rejeitaram a presença dele, sem mesmo terem visto um minuto de filme. Protestos
    se seguiram e inclusive um boicote foi organizado. Muitas foram as razões para
    tamanho descontentamento: sua alegada feiúra, falta de elegância e carisma.
    Durante toda a pré-produção do projeto, um veículo naInternetintitulado: danielcraigisnotbond.com(Daniel
    Craig não é Bond), atacava diariamente o ator, que se mostrava publicamente
    magoado com o fato. Porém, acreditando terem feito a escolha certa, os
    produtores seguiram com o projeto. A trama retirada do livro de 1953, fala
    sobre a primeira aventura do espião após ser concedida sua licença para matar.
    O audacioso agente é enviado para confrontar-se com um banqueiro terrorista
    chamado Le Chiffre, interpretado porMadds Mikelsen, em uma rodada de
    apostas noCassino Royale.

    Para ajudá-lo, uma agente do tesouro chamada Vésper Lynd é
    enviada ao seu encontro. A primeiraBond Girl literária e a de maior
    importância na criação da persona do agente, algo potencializado nesta versão
    cinematográfica, vivida pela bela atrizEva Green. Numa acertada decisão,
    os produtores decidiram manter a talentosaJudi Denchno papel de M,
    a chefe de Bond. Sua relação com o espião ainda é permeada de conflitos e
    insegurança, pois o mesmo ainda se encontra em um estágio inicial, como uma
    criança, sendo M, metaforicamente sua mãe, algo que rimará perfeitamente na
    trama de “Skyfall”. Ecoando um evento passado, um Felix Leiter negro é
    escolhido (o primeiro havia aparecido no filme não-oficial: “Nunca Mais outra
    Vez”), sendo interpretado porJeffrey Wright. Outro nome de peso no elenco
    é o do italianoGiancarlo Giannini, como René Mathis, o contato do agente
    em Montenegro.

    Daniel Craig aparenta ser um lutador de MMA em comparação
    com Sean Connery, porém a mudança é entendida se percebermos a real intenção
    dos produtores e de Martin Campbell: mostrar a transformação de uma pedra bruta
    em diamante, cortando as arestas sem piedade. O jovem agente sequer dá
    importância a qual bebida tomar, contanto que mate sua sede. Por pura
    imaturidade, cometerá o erro primário de se apaixonar. Este evento e suas
    consequências irão moldar indelevelmente ocaráterdo espião,
    levando-o a dar o primeiro passo rumo ao personagem estabelecido nos filmes da
    década de sessenta. A ausência de elementos fundamentais da franquia, como o
    personagem Q e a secretária Moneypenny, irritaram muito os fãs mais devotos.
    Faz-se preciso entender que esta fase representa mais um degrau na evolução do
    personagem. Como ficaria provado anos depois, não seria um definitivo adeus aos
    elementos clássicos, mas sim um promissor “até breve”. Os produtores decidiram
    dar um passo atrás, como que um respiro final antes do salto, algo que ocorre
    com frequência nesta produção, graças à excelente utilização do Parkour, que
    inclusive funciona também no nível narrativo, pois diz muito sobre a
    intempestividade deste 007 “1.0”, que atravessa paredes ao invés de abrir
    portas. Com essa decisão, não só conseguiram trazer novos fãs à franquia, como
    também abriram um leque de oportunidades nunca antes abordadas.

    Além dos avanços realizados narrativamente, uma sequência de
    ação no filme entrou para o livro dos recordes: o clássicoAston Martin,
    tentando evitar uma tragédia, rodopia sete vezes no ar antes de chocar-se
    definitivamente no chão.A trilha sonora foi entregue nas mãos deDavid
    Arnolde a canção-tema foi composta e cantada porChris Cornell: “You
    Know my Name
    ”. Numa citação da canção: “O sangue mais frio corre pelas minhas
    veias,… Você sabe meu nome
    ”. Uma letra inspirada e que já entrou na lista das
    preferidas dos fãs. Para simbolizar a criação do personagem, o tradicional “Bond
    Theme
    ” não aparece durante o filme inteiro, apenas em seu final, quando o
    protagonista aprende com alguns erros e amadurece, ainda não plenamente, pois
    faltava desconectar-se emocionalmente de Vesper. O filme estreou em 14 de
    Novembro de 2006 com excelente bilheteria, quebrando os recordes do filme
    anterior com facilidade. Após a estreia, tanto os críticos quanto a maioria dos
    fãs foram unânimes: Daniel Craig representou muito bem o papel. O ator foi
    inclusive alvo de comparações com o lendário Sean Connery. Acredito que muito
    da garra que o ator apresenta na tela venha de seu próprio orgulho ferido.
    Poucas vezes na história do cinema, um profissional teve a chance de dar a volta
    por cima e provar seu talento de maneira tão inusitada e gloriosa. “007 –
    Cassino Royale” foi eleito por muitos críticos como um dos melhores filmes do
    ano e garantiu a continuação. Craig iria voltar em 2008, já redimido e querendo
    mais.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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