Tesouros da Sétima Arte – “Na Noite do Passado”, de Mervyn LeRoy

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Na Noite do Passado (Random Harvest – 1942)

O veterano de guerra Charles Rainier (Ronald Colman) perdeu toda a memória de sua vida antes da guerra. Abandonado, ele conhece a showgirl Paula (Greer Garson) e os dois se apaixonam e se casam. Quando Rainier viaja, um carro o atinge e ele perde toda a memória da vida com Paula, mas recupera aquelas de antes da guerra. Rainier retorna à vida anterior e Paula tenta se reunir ao marido.

A experiência de rever este filme depois de muitos anos somente me fez admirar ainda mais os méritos da requintada produção.

Mesmo tendo feito enorme sucesso em sua época (um dos maiores sucessos da MGM), hoje em dia quase não é citado entre cinéfilos e críticos. Normalmente recomendava-o para todas as adolescentes fãs de Nicholas Sparks e seu “Diário de uma Paixão”, pois trata de um tema similar: o sofrimento resignado daquele que percebe nos olhos de quem ama a sombra amarga do esquecimento.

O desmemoriado veterano da Primeira Guerra Mundial, vivido brilhantemente por Ronald Colman (indicado ao Oscar por sua interpretação), aproveita o descuido de um funcionário do asilo e escapa, buscando o abraço da sociedade.

A jovem atriz vivida pela bela Greer Garson apaixona-se à primeira vista pelo estranho de olhar distante, que a tudo vislumbra com a pureza de uma criança, acostumando-se com as cores do mundo. Casam-se e iniciam uma família, porém um acidente de trânsito irá desferir um golpe fatal no relacionamento. A mesma ausência de memória que os favoreceu em seu primeiro encontro, agora irá separá-los.

A beleza da obra do diretor Mervyn LeRoy consiste na atenção nos pequenos detalhes, como a utilização do balé de Tchaikovsky: “O Lago dos Cisnes” ao enfocar a dualidade na relação posterior do casal.

O esforço da jovem em reconquistar aquele amor esquecido, sua devoção e força interior (expressada de forma primorosa no olhar da atriz em cada cena) inabalável, uma esperança que a guiará por vários anos. A trama é adaptada do livro de James Hilton (de “Horizonte Perdido”) com grande liberdade, porém encontrando uma forma eficiente de traduzir cinematograficamente as reviravoltas literárias.

Vale a pena conhecer o filme sabendo o mínimo possível sobre a sua trama.

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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