O Tambor (Die Blechtrommel -1979)

“Nós, duendes e tolos, não deveríamos dançar no concreto, que foi feito para gigantes.”

Utilizando-se de fantasia, o diretor Volker Schlöndorff (adaptando a complexa obra de Günter Grass) contou a história do pequeno Oskar Matzerath (David Bennent), que decide não mais crescer após frustrar-se com os adultos e perceber o horror da Segunda Guerra Mundial, escolhendo viver de sua própria maneira ao lado da única coisa constante em sua vida, um presente dado quando ele tinha três anos de idade, um pequeno tambor vermelho e branco (que psicologicamente substitui o som das batidas do coração de sua falecida mãe).

Oskar realmente interrompe seu crescimento e pelos mesmos motivos que Peter Pan, por saber que o mundo dos adultos é cruel e hostil (sua atitude egoísta e indiferente espelha a infantilidade do povo alemão da época, assim como o fascismo que se espalhava), mas consegue impor-se e superar suas limitações durante um discurso nazista em praça pública, quando, com seu pequeno tambor, consegue transformar a opressiva marcha militar em uma bela valsa que leva toda a população a dançar.

Oskar é utilizado como uma ferramenta artística designada a expor a sua sociedade, que é vista por sua ótica (a câmera baixa, ao nível dos olhos de uma criança). Quando rejeita a proposta de um anão a participar de um circo (“prefiro fazer parte da plateia”), deixa evidente estar avesso a tomar partido de algo (como os adultos da época, avessos à responsabilidade). O anão afirma que todos os pequenos precisam unir-se e guiar o show, caso contrário outros irão tomar o controle e levá-los à destruição.

“O Tambor” é ousado em sua crítica e merece ser visto várias vezes, sempre adicionando novas camadas de interpretação àquele que o prestigia.

Tesouro que merece ser garimpado.

 

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Viva você também este sonho...

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