Cine Bueller – “Indiana Jones e o Templo da Perdição”

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    Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and The
    Temple of Doom – 1984)

    Steven Spielberg odeia este filme, considera-o um erro. São
    exatamente os elementos que ele cita como falhas neste projeto, que fizeram eu
    me tornar um fã do personagem. A trama sombria que nos faz crer que o perigo é
    latente, o alívio cômico perfeito na forma do jovem asiático “Short
    Round” e um interesse romântico curioso na forma de Willie Scott (Kate
    Capshaw), uma artista medrosa que sempre acaba envolvendo o grupo nas piores
    confusões.

    Enquanto que no anterior “Os Caçadores da Arca Perdida” (Raider´s of The Lost Ark), o
    personagem de Harrison Ford era um professor heroico, nesta segunda incursão
    ele se torna um mito. Spielberg e seu amigo George Lucas são fãs de Joseph
    Campbell e sua visão sobre o poder dos mitos na sociedade. Quando Indiana Jones
    aparece em cena com seu chapéu e chicote preso à cintura, nossa criança
    interior berra de pura empolgação. Quando o filme passava na “Sessão da Tarde”, tinha a certeza de que estava compartilhando aquela experiência com todos os colegas da minha turma na escola.

    A trama aborda um culto religioso hindu que escraviza
    crianças e sacrifica homens, retirando seus corações com as mãos antes de
    jogá-los ao fogo. Sombrio em excesso? Não mais que alguns contos infantis que
    escutamos no colo de nossas mães enquanto ainda bebês. Assisti pela primeira
    vez aos cinco anos e lembro que gostei tanto, que a imagem na velha fita VHS
    chegou a amarelar. Tenho as falas decoradas até hoje. Não me tornei um adulto
    violento por ter sido exposto ao filme por tantas horas seguidas, mas tive meus
    padrões de qualidade no gênero elevados.

    Spielberg consegue incutir neste filme um ritmo acelerado,
    onde as pausas são tão ou mais interessantes que as cenas de ação. Acredito que
    o maior acerto da obra foi a escolha do tema. Alguns críticos reclamam que
    grande parte do filme é dedicada a mostrar as atividades nefastas do culto
    hindu, o que se afasta demais do conceito exibido nos outros projetos. Eu vejo
    de forma diferente: quanto maior o conhecimento que temos sobre o vilão, melhor
    nos sentiremos quando o herói o vencer. Quando enfim escutamos a fanfarra icônica
    do personagem (mérito do compositor John Williams) após um longo tempo,
    vibramos muito mais. Cada soco desferido por ele no vilão carrega nosso braço
    junto, nos levando até o tradicional final feliz, que nos satisfaz por
    completo. Mesmo que tenhamos assistido a pessoas comendo cérebros de macaco,
    corações sendo arrancados e pulsando nas mãos do algoz, o que fica na memória é
    a genialidade do diretor em reunir tantas referências de forma tão fantástica e
    divertida.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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