Make ‘Em Laugh – Um Estranho Casal

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    O filme está finalmente sendo lançado no mercado brasileiro
    pela distribuidora “Classicline”, que merece justo reconhecimento pelo zelo com
    a história do cinema, legando esses tesouros para uma geração tão maltratada
    pelas distribuidoras majors, sempre tão imediatistas.

    Um Estranho Casal (The Odd Couple – 1968)

    Adaptada por Neil Simon a partir de seu próprio sucesso nos
    teatros da Broadway (protagonizada por Matthau e Art Carney). Após
    acabar o casamento de 12 anos, Felix Ungar (Jack Lemmon) decide morar com seu
    melhor amigo Oscar Madison (Walter Matthau), pois ambos estão divorciados e
    sozinhos. Mas eles logo descobrem que os seus temperamentos são bem diferentes
    e o modo de comandar uma casa é muito conflitante, pois enquanto Oscar é um
    tremendo bagunceiro, Felix é um maníaco por organização e limpeza.

    Neil Simon escreve diálogos divertidíssimos, que explodem
    inesperadamente como consequência de um atrito situacional. A chave criativa é
    inserir em um mesmo ambiente, pessoas que nunca administrariam uma amizade no
    mundo real. Transitando entre o amor e o ódio, essas pessoas estão aprisionadas
    a um padrão de comportamento que, de tão trágico, acaba se tornando cômico. Basta
    lembrar que o personagem de Lemmon busca cometer suicídio logo nos primeiros
    minutos. Todas as sitcoms bebem dessa fonte, normalmente com menos elegância e
    refinamento nos textos.

    O diretor Gene Saks não possui muito mérito no sucesso dessa
    adaptação, que transporta com fidelidade o texto original de Simon e as ideias
    cênicas da direção teatral de Mike Nichols (como pode ser notado no
    posicionamento pouco cinematográfico na cena do jogo de pôquer). Fico
    imaginando a obra-prima que poderia ter sido, caso Billy Wilder estivesse no
    comando. E é indiscutível que a mágica que torna o filme irresistível até hoje,
    reside na sua dupla de protagonistas, imortalizada em seu melhor momento. Lemmon e Matthau (que já haviam trabalhado juntos em “Uma Loura por Um
    Milhão”, de 1966) se divertem em cena, mastigando com fome cada one-line
    espirituosa e sempre evitando a óbvia caricatura, ponto fraco dos textos de Simon
    e da sitcom em geral.

    É engraçado perceber a forma como o roteiro inteligentemente
    demonstra as falhas comportamentais dos personagens, que culminaram nos
    divórcios de suas respectivas parceiras, nas discussões que eles mantêm
    regularmente (percebam como eles acabam se referindo um ao outro, com o nome
    das esposas), ressaltando o absurdo de que, mesmo em uma relação de amizade,
    eles acabam cometendo os mesmos erros que os conduziram anteriormente ao fim de
    seus relacionamentos conjugais.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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