O Encanto Eterno de Shirley Temple

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    Quando eu era criança, lembro-me de ter assistido na
    televisão, em uma véspera de Natal, aquele que considero um dos melhores filmes
    infantis de todos os tempos: “Heidi”, dirigido por Allan Dwan em 1937, com a
    inesquecível Shirley Temple. Com sua morte, assistindo a cobertura televisiva,
    peguei-me recordando de como era gostoso assistir os filmes dela nas reprises
    de “Sessão da Tarde”.

    Eu não era nascido na época dos “Batutinhas”, então ela
    era a única protagonista infantil que eu conhecia. Séries como “Super Vicky” e “Punky”
    somente foram transmitidas por aqui no finalzinho da década de 80. Ainda iria
    demorar alguns anos para que eu vibrasse com as aventuras de “Os Goonies”.
    Então, durante uma breve fase da minha infância, Shirley Temple era a única protagonista
    que eu conhecia que tinha mais ou menos a minha altura. Desconhecia totalmente
    o contexto em que estava inserida, mas o que me importava era que, independente
    dos percalços que ela sofria nas tramas, sempre havia a garantia daquele
    sorriso contagiante no final.

    Hoje, como forma de homenageá-la, eu revi após muitos anos o
    belo: “Heidi”. Baseado no clássico romance infantil de 1880, escrito pela autora
    suíça Johanna Spyri, Temple interpreta uma jovem órfã que é enviada para viver
    com seu avô rabugento (Jean Hersholt) em sua cabana isolada nos Alpes. O avô
    inicialmente, tomado por forte amargura, evita se apegar à menina. Claro que a
    resistência dura pouco tempo. Grande parte do melodrama soa piegas e datado, como
    já esperava, mas é impossível resistir aos encantos da menina de cachinhos
    dourados. E, por mais que ela tenha se mantido atuando durante a adolescência
    em bons filmes, como no drama de guerra “Desde que Partiste” (1944) e no
    faroeste “Sangue de Heróis” (1948, sob o comando de John Ford), Temple está
    imortalizada em sua contraparte infantil.

    Ela foi uma ferramenta industrial
    projetada meticulosamente e explorada pelos produtores na época da Grande
    Depressão, onde os americanos precisavam ter esperança e acreditar novamente na
    beleza e na inocência, mas é um equívoco contextualizá-la tão friamente. A
    imagem que irei guardar dela (e, com certeza, mostrar para meus filhos um dia)
    é a última cena de “Heidi”, com a oração da menina e seu sorriso maravilhoso,
    pedindo pela felicidade de todas as crianças do mundo.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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