Chumbo Quente – Sua Última Façanha

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    Sua Última Façanha (Lonely Are The Brave – 1962)

    O caubói Jack Burns (Kirk Douglas) fica sabendo que seu
    amigo Paul Bondi foi preso por transportar imigrantes ilegais. Na tentativa de
    ajudar o amigo, Burns deliberadamente deixa-se prender para estar mais próximo
    de seu amigo. Frustrado por Bondi não querer acompanhá-lo na estrada, Burns,
    então, escapa da prisão, tornando-se um fugitivo. É quando o xerife Johnson
    (Walter Matthau) encontra sua trilha e passa a persegui-lo.

    Impecável, ainda que pouco lembrada, obra roteirizada pelo
    sempre competente Dalton Trumbo. Ele havia sido convocado por Kirk Douglas, com
    quem havia trabalhado em “Spartacus”, que se mostrou apaixonado
    ideologicamente pelo projeto (ele considera este o seu melhor projeto) e
    comprou os direitos do livro original do libertário Edward Abbey. Os jovens
    perceberão que o filme serviu de inspiração para o escritor David Morrel em
    seu: “First Blood” (e consequentemente, sua adaptação
    cinematográfica: “Rambo – Programado para Matar”). Já os fãs da série
    dos anos setenta: “O Incrível Hulk”, poderão ver seu astro Bill Bixby
    em sua primeira participação no cinema, como o copiloto do helicóptero que caça
    Douglas na montanha.

    Trumbo entrou pra lista negra de Hollywood ao recusar ser um
    delator em 1947, tendo que escrever por alguns anos com pseudônimos para
    conseguir trabalhar. Sua ideologia e rancor são visíveis no roteiro em vários
    momentos, como quando realça a recusa do protagonista a abandonar seu fiel
    cavalo Whiskey, mesmo sabendo que conseguiria escapar mais rápido sozinho, já que
    o animal não era páreo para a tecnologia de seus caçadores. Eles se manteriam
    juntos até o final. A bela fotografia de Philip Lathrop (que depois trabalharia
    no primeiro “A Pantera Cor-de-Rosa” e no excelente “À Queima-Roupa”, de John
    Boorman) realça o contraste entre o antigo e o novo, como faces da mesma moeda.

    O diretor David Miller busca clara inspiração nos trabalhos
    de Anthony Mann no gênero, primando pela atenção com a imensidão da paisagem. Logo
    em sua cena inicial, o roteiro nos mostra a clássica figura, imortalizada pelo
    cinema, docowboy, contrastando-a com a passagem de aviões pelo céu.
    Referência imagética que encontra “rima” conceitual na emocionante cena
    que finaliza a obra, reforçando o que está em jogo: a velha sociedade contra a
    sociedade moderna, numa batalha onde a coexistência não parece ser possível.
    Douglas representa o elemento da natureza que se recusa a se adequar, forçando
    com que as leis naturais do “Zeitgeist” defendam-se sem piedade.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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