Robocop 3 (1993)

A corporação Omni Consumer Products estuda desenvolver o projeto Delta City, que vai substituir a abandonada Detroit. Para atingir este fim, a OCP convoca as forças armadas para intimidar os residentes de fora da cidade, sob o pretexto de que eles estarão contribuindo sua parte para reduzir a criminalidade. Depois de Robocop se unir à resistência civil, ele sustenta vários ferimentos, mas se recupera para lutar contra os robôs-ninja construídos pela OCP.

É difícil defender este filme, mas tentem entender o contexto em que ele foi inserido na vida da criança que fui outrora. Eu não tinha idade para ver os dois primeiros no cinema, mas eles, especialmente o primeiro do Paul Verhoeven, praticamente moravam dentro do meu videocassete. Eu tinha as adaptações em quadrinhos e o álbum de figurinhas, aquele que tinha mais fotos do desenho animado que passava nas manhãs da TV Globo, que, aliás, foi um dos poucos que consegui completar.

Eu cantarolava o tema de Basil Poledouris pela casa, as trilhas sonoras de cinema eram, por assim dizer, minha Xuxa. “Robocop 3” não seria apenas o primeiro do personagem que eu poderia ver no cinema, como também seria o primeiro que eu veria no cinema depois de um longo e tenebroso inverno afastado das salas de rua. Lá estava eu, aos oito anos de idade, nas férias escolares, acompanhado da minha mãe em um cinema de rua, empolgado para meu reencontro com o policial do futuro. Tenho certeza que me diverti muito e não achei nada esquisito no fato dele agora poder sair voando e enfrentar robôs ninjas. A ressaca viria anos depois, quando revi com os olhos mais treinados.

O roteiro é horroroso, com o desgastado clichê da companheira mirim superinteligente e uma das piores batalhas finais de que me lembro, incrivelmente anticlimática, colocando um herói com sérios problemas de mobilidade contra dois robôs com sérios problemas técnicos. O diretor Fred Dekker, do bom “A Noite dos Arrepios”, até desistiu da carreira depois deste fiasco. Na intenção de atingir uma classificação etária mais interessante mercadologicamente, os envolvidos trocaram o vilão que é derretido no ácido pelo cidadão que é atingido por uma ameaçadora flecha.

O policial do futuro, vivido desta vez por um equivocado Robert John Burke, agora pode desatarrachar sua mão biônica e trocá-la por uma bazuca, transformando ele em um genérico robô de desenho animado. O cenário pretensamente apocalíptico, dominado pelos punks caricatos dos clipes do Michael Jackson, é tão inofensivo que a parceira Lewis (Nancy Allen) nem faz questão de usar colete de proteção, mas não se esquece de armar o cabelo como se estivesse indo a uma festa. Nem vou comentar as cenas de voo, uma ideia absurdamente tola, que me leva a pensar como alguém pode ter achado que seria visualmente interessante mostrar uma tora de madeira impulsionada por um foguete nas costas. Só faz sentido no departamento de brinquedos.

E o desfecho? “Os meus amigos me chamam de Murphy, mas você me chame de Robocop”, com direito a sorrisos constrangedores dos coadjuvantes e o herói de mãos dadas com uma criança. Pior, impossível! Mas eu vejo sempre que pego passando na televisão, pura nostalgia, por me fazer recordar daquele garoto empolgado na poltrona do extinto Cine Carioca da Tijuca, louco para escutar pela primeira vez aquela trilha sonora no cinema.

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Viva você também este sonho...

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