“Além da Escuridão – Star Trek”, de J.J. Abrams

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    Além da Escuridão – Star Trek (Star Trek Into Darkness – 2013)

    O diretor J.J. Abrams dá uma aula de como revitalizar uma
    franquia, sem necessariamente desrespeitar seu legado e o trabalho árduo dos
    profissionais que a construíram. Com inteligência, os roteiristas Alex
    Kurtzman, Roberto Orci e Damon Lindelof, abraçam o cânone estabelecido na Série
    Clássica, inclusive inserindo elementos para os fãs mais atentos, como o medo
    que Chekov sente ao pensar que usará o uniforme vermelho, além de citações a
    personagens, como Harry Mudd e a presença dos inesquecíveis Tribbles, assim
    como o compositor Michael Giacchino, que faz uma breve referência em uma cena a
    uma melodia marcante do episódio “Amok Time”, o primeiro da segunda
    temporada.

    O que mais me surpreendeu foi o competente equilíbrio, tão raramente alcançado, entre a necessidade de se atingir o público jovem que busca prioritariamente a
    ação e os fãs que buscam identificar no roteiro o necessário respeito com o
    objeto de sua devoção. É, ao mesmo tempo, um reboot e uma continuação das três
    temporadas da Série Clássica e dos seis projetos para o cinema, com William
    Shatner e Leonard Nimoy. Fico esperançoso com o futuro de “Star
    Wars”, nas mãos de Abrams. Benedict Cumberbatch (John Harrison) consegue
    impor sua presença de forma ameaçadora e segura, criando o antagonismo perfeito
    para o heroísmo inconsequente e, ainda, essencialmente inseguro do jovem
    Capitão Kirk, vivido por Chris Pine, confortável como um ponto de transição
    entre o moleque brigão do primeiro filme e a rebelde elegância do personagem
    eternizado por Shatner.

    Spock (Zachary Quinto) recebe maior destaque, inclusive como alívio cômico, com
    sua relação com Uhura (Zoe Saldana), garantindo momentos engraçados e que
    remetem ao espírito de camaradagem do trio Spock-Kirk-McCoy, algo que soava
    pouco orgânico no filme anterior. Existem alguns problemas na costura do
    roteiro, minimizando o efeito de algumas soluções narrativas ou tirando delas a
    credibilidade, mas furos existem em praticamente todos os projetos. O que
    importa é que, durante a experiência, esses furos não sejam perceptíveis, como
    um mágico que nos ilude com a mão direita, enquanto opera o truque com a
    esquerda. E Abrams é um excelente ilusionista.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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