“Kick-Ass 2”, de Jeff Wadlow

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    Kick-Ass 2 (2013)

    Jim Carrey se recusou publicamente a participar da campanha
    de divulgação, dizendo que sente vergonha de ter participado de algo tão
    violento. Grande parte dos profissionais da crítica mundial abraçou essa
    indignação e está utilizando o mesmo critério. Acho hipocrisia o argumento de
    quem cita a violência real de adolescentes nas chacinas em escolas americanas,
    com o nível de violência no filme. Quer dizer que se um taxista parar nas
    manchetes de jornais como um serial killer, “Taxi Driver” passará a ser visto
    de forma negativa pelos críticos? Cinema é escapismo. A proposta não é refletir
    a realidade, mas sim contar uma fábula cheia de referências pop, excelente a
    mensagem na camiseta do protagonista: “I hate reboots”, sobre vigilantismo, uma
    grande brincadeira com vários clichês dos quadrinhos. Tudo nele é estilizado,
    exagerado e visando as gargalhadas.

    Existem problemas estruturais no filme, mas passam longe do tema ou da forma
    com que ele é abordado. O principal erro foi dar a responsabilidade da direção
    nas mãos incapazes de Jeff Wadlow, com poucos e péssimos filmes no currículo,
    como “Cry Wolf”. Substituindo a rebelde elegância de Matthew Vaughn, ele deixa
    passar falhas grosseiras de continuidade em cenas simples, como o girar de uma
    cabeça que se repete de forma amadora ou um perceptível sorriso no contracampo,
    que no mesmo diálogo e apenas um segundo depois se torna pura seriedade. A
    opção de seguir fielmente a obra original de Mark Millar também trabalha contra
    o resultado, já que ela não chega nem perto da ousada criatividade que existia
    em cada página do primeiro. Existem conceitos promissores e que poderiam ser
    enriquecidos na adaptação, como o casal de heróis urbanos motivados pelo
    desaparecimento do filho, mas são tratados como caricaturas. Não há como negar
    que Chloe Moretz (Mindy) novamente é a responsável pelos melhores momentos,
    favorecida por seu carisma natural e pelo melhor trabalha do arco narrativo de
    sua personagem, um clássico conto de amadurecimento e autodescoberta.

    Assim como no original, a brincadeira consiste em imaginarmos personagens
    exóticos em um cenário real. Como seria se realmente os jovens quisessem se
    tornar super-heróis ao invés de astros pop? Eles apanhariam bastante, com
    certeza. Mas o subtexto além da camada de diversão é o mais interessante: uma
    crítica ao comodismo de uma juventude que se espelha nos exemplos de futilidade
    e que enaltece ídolos como Charlie Sheen, apenas por serem grosseiros. A
    inversão de valores que leva uma jovem como Miley Cyrus, acreditar estar sendo
    rebelde apenas por ficar nua e estirar a língua pras câmeras. Os heróis da
    equipe “Justice Forever”, uma bela homenagem à “Liga da Justiça” e “Watchmen”,
    entre outros, sabem que não são reconhecidos em suas rotinas diárias, mas
    sentem-se bem por fazerem parte de algo nobre. O contraste é feito com as
    fúteis garotas populares que atravessam o caminho de Mindy. Elas não
    intencionam nada mais que a aceitação dos seus iguais, mediante a realização de
    tolos rituais diários que não dizem nada à madura garota que combatia o crime
    desde criança com seu pai. Ao fazê-la questionar suas escolhas, o roteiro eleva
    a qualidade do produto, proporcionando algumas conclusões interessantes entre
    um decepamento e outro.

    “Kick-Ass 2” não busca superar o original, apenas utilizar aquele molde
    estabelecido para outras interessantes discussões.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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