“Killer Joe”, de William Friedkin

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Killer Joe (2011)

A história é sobre um irmão (Emile Hirsch) e uma irmã que tramam a eliminação de sua mãe para ficar com o dinheiro do seguro. Para isso, eles contratam o policial Joe Cooper (Matthew McConaughey).

O diretor William Friedkin realiza seu melhor filme desde “O Exorcista” (1973). Impressionante como o cineasta continua afiado, utilizando um senso de humor peculiar, que alguns considerarão ofensivo, e comandando um elenco impecável.

A condução do primeiro ato como uma comédia de humor negro e a transição para um segundo ato filosoficamente instigante, a caracterização dos personagens, o vestuário de Joe e Dottie, que diz mais que páginas de roteiro, o suspense orquestrado em cenas angustiantes, a perseguição dos motoqueiros, por exemplo, a naturalidade com que cenas mais (fisicamente) reveladoras, coerente ao tema, são trabalhadas, tudo regido com extrema franqueza.

Como não quero estragar a experiência, pouco direi sobre a trama. Matthew McConaughey, em excelente atuação, interpreta um elemento visceral nascido de seu próprio meio corrupto. Um detetive que faz bicos como criminoso contratado. Cada reação contida e fala murmurada evidencia seu profundo desequilíbrio emocional.

A sua reação em seu primeiro encontro com a jovem, demonstra o quanto eles dois são almas gêmeas perturbadas, dois seres que fingem para não sofrerem. Juno Temple, perfeita em cada nuance, vive uma mulher infantilizada, presa em traumas passados, que busca esconder com uma fingida timidez excessiva, seu profundo desejo carnal. A calculada escolha por inicialmente evitar utilizar um vestido negro, provocante, em um encontro amoroso contrasta com a rapidez com que ela aceita entrar no jogo de sedução.

Friedkin entrega uma obra muito corajosa, flertando até com o surrealismo, sem inibições, com um terceiro ato que deixaria Sam Peckinpah orgulhoso e uma excelente fotografia, de Caleb Deschanel, de “A Paixão de Cristo”, em seu primeiro trabalho com digital, que acentua com uso intenso de sombras a tênue linha que separa a consciência do homem, entre manter-se íntegro ou abraçar a violência.

Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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