Planeta dos Macacos: O Confronto (Dawn of The Planet of The Apes – 2014)

É inegável que o diretor Matt Reeves entrega um produto
muito melhor que seu antecessor, um dos roteiros mais fracos daquele ano, com
um entretenimento exuberante e que satisfaz plenamente como blockbuster de
ação. Mas é impressionante como o tematicamente similar “A Conquista do Planeta
dos Macacos”, um filme dirigido por J. Lee Thompson há quarenta e dois anos,
com um orçamento mínimo e homens vestidos de macaco, consegue transmitir sua
mensagem com mais contundência. São propostas e públicos totalmente diferentes,
claro, mas é interessante constatar como ocorreu essa involução, onde a busca
pela excelência na computação gráfica se tornou mais importante que a ousadia
criativa de uma trama.

A força do César vivido por Roddy McDowall ao discursar em meio às labaredas de
uma cidade destruída, não estava na qualidade do cenário ou na exatidão da
maquiagem, mas sim na atuação e no que estava sendo dito. E, por melhor que
seja Andy Serkis, ele está refém do texto que defende. Os roteiristas Mark
Bomback (dos péssimos “Duro de Matar 4.0” e a refilmagem de “O Vingador do
Futuro”), Rick Jaffa (do fraco “A Relíquia”) e Amanda Silver (de “A Mão que
Balança o Berço”) simplesmente não possuem o estofo necessário para igualarem o
talento de Paul Dehn, por exemplo, responsável pelos roteiros de todas as
sequências do “Planeta dos Macacos” original, com um currículo que continha
“007 Contra Goldfinger” e “A Megera Domada”, entre outros. Somos apresentados
então a um longo conflito entre “humanos muito ruins” e “humanos muito
bonzinhos”, “macacos muito ruins” e “macacos muito bonzinhos”, com personagens
desenvolvidos de forma rasa e alguns momentos cafonas, especialmente em uma
cena de nascimento. Até a personagem muda Nova (Linda Harrison), da série
original, era mais carismática e tinha uma função menos ingrata que a das
personagens femininas nesse filme.

O resultado é muito divertido, agitado, empolgante, mas é esquecido tão logo
terminam os créditos finais. O roteiro segue a fórmula previsível de vários
projetos que abordam conflitos entre raças. Gary Oldman aparece muito pouco,
mas pode ser considerado o elemento que melhor funciona no filme. Por mais
impecáveis tecnicamente que sejam as cenas de batalha, com um trabalho
excelente de renderização computadorizada, não é algo que me emocione, o
deslumbramento já foi banalizado, ficamos acostumados.

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Viva você também este sonho...

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