“Mulheres ao Ataque”, de Melissa Stack

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     Mulheres ao Ataque (The Other Woman – 2014)
    A sensação que tive ao longo do filme foi de que o roteiro havia
    sido escrito por uma amadora. Depois constatei que Melissa Stack assinou, de
    fato, seu primeiro longa-metragem, abusando até de piadas sobre excrementos,
    que assim como as similares no gênero sobre flatulências, são um excelente
    indicativo de um profissional com pouquíssimas referências, sem o necessário
    estofo cultural no próprio estilo em que se aventura. Para ter uma ideia do
    desastre, sobra espaço até para aquela batida cena de observação à distância,
    ao som do clássico tema de “Missão: Impossível”. Nem os especiais de final de
    ano da Xuxa utilizavam esse artifício. É incrível pensar que uma mulher escreva
    um material tão essencialmente machista. Não há virtuosismo na direção que
    salve um esqueleto narrativo em estágio terminal de osteoporose. E Nick
    Cassavetes é um diretor talentoso, que já provou isso no seu roteiro original
    “Alpha Dog” e tirando leite de pedra na melhor adaptação do universo literário
    de Nicholas Sparks: “Diário de Uma Paixão”.

    Cada situação cômica é trabalhada à exaustão, fazendo com que até mesmo Cameron
    Diaz, uma força carismática de pouco talento, acabe se tornando enjoativa em
    caras e bocas forçadas. Marilyn Monroe era tão limitada quanto, porém parecia
    genial defendendo textos escritos por Billy Wilder. Diaz, nas mãos frágeis de
    uma roteirista insossa, não tem a mesma sorte. Existe química entre Diaz e suas
    colegas de cena Leslie Mann e Kate Upton, mas elas vivem personagens cujas
    motivações são volúveis, pouco críveis até mesmo para os padrões das sitcoms
    televisivas. É uma visão desnecessariamente estereotipada, com amizades que se
    fortalecem com apenas uma rodada de bebida ou na execução do clichê desgastado
    da montagem de dança. Quando elas se revoltam, o roteiro resolve tudo com a
    óbvia utilização do laxante e outras traquinagens adolescentes que caberiam
    perfeitamente na série “Loucademia de Polícia”. Caso transpostas para a vida
    real, das páginas do roteiro, essas mulheres seriam completamente
    insuportáveis.

    Caso esteja interessado em comédia tematicamente similar, mas com resultados
    infinitamente mais satisfatórios, fique em casa e reveja “O Clube das
    Desquitadas”, de 1996, com Goldie Hawn, Diane Keaton e Bette Midler.
    Impressionante como a sociedade e a indústria do entretenimento regrediram e se
    infantilizaram, em menos de duas décadas.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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