Rebobinando o VHS – “O Analfabeto”

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    Escolhi iniciar o ano com essa pérola esquecida da comédia
    mexicana. O humor de Cantinflas, Fortino Mario Alfonso Moreno Reyes, é mais
    próximo do estilo de humor brasileiro, com suas tiradas irônicas contundentes,
    gestual circense e jogos de palavras, que serviu de inspiração para Renato
    Aragão, entre outros. Chaplin, numa demonstração de incrível generosidade,
    afirmava publicamente que o considerava o melhor comediante vivo.

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    O Analfabeto (El Analfabeto – 1961)

    “O Analfabeto” foi meu primeiro contato com ele, o único que assisti em VHS. Somente anos depois, com o advento das
    facilidades da internet, pude apreciar mais obras de sua filmografia, infelizmente, ainda
    tratada com muito desleixo pelas nossas distribuidoras. Nem mesmo seu filme
    americano “Pepe”, dirigido por George Sidney, chegou a ser lançado por aqui no
    mercado de DVD. É uma pena que a nova geração não se interesse em resgatar
    esses gênios do passado.

    Muito similar ao seu sucessor no México, Roberto Gómez
    Bolaños, nós podemos enxergar no personagem Inocêncio Preto e Calvo, preto de
    pai e calvo de mãe, uma característica comum a vários de seus heróis, uma alma
    quixotesca que faz do medo sua principal arma, corajosamente sobrepujando
    aqueles que buscam se aproveitar de sua ingenuidade. Confortável sob a direção
    do parceiro Miguel M. Delgado, no papel de um adulto que deseja aprender a ler
    e escrever, Cantinflas se permite liberar das amarras dos modelos clássicos de
    linguagem, como sempre, utilizando um figurino que não se enquadra naturalmente
    ao cenário em que o personagem habita, com toques que representam a dignidade e
    o refinamento que ele ludicamente identifica ao se olhar no espelho, simbolizando
    um homem à margem da sociedade. A crítica social é óbvia, como podemos ver na
    cena em que o herói pícaro enfaticamente afirma preferir ser analfabeto e
    honrado, a ser culto e agir de forma desonesta com seus semelhantes.

    O humor se alterna entre gags visuais e diálogos de duplo
    sentido espirituosos e eficientes, com um interlúdio musical hilário, onde
    Inocêncio tenta impressionar sua namorada, vivida pela bela Lilia Prado,
    cantando em um coro de igreja. Por simples que seja, é difícil esquecer a
    ternura contida nas cenas em que Cantinflas, com brilho nos olhos, saúda seus pequenos
    colegas de classe.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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