Rebobinando o VHS – “As Tartarugas Ninjas” (1990)

0

museu1peq1 - Rebobinando o VHS - "As Tartarugas Ninjas" (1990)

Quem diria que Bobby Herbeck, responsável pelo texto de alguns episódios da série “Super Vicky”, aquela androide com aparência de menina, criaria a história dessa boa adaptação dos quadrinhos violentos criados por Kevin Eastman e Peter Laird?

vhs as tartarugas ninjas original 1988 5244 MLB4950559102 092013 F - Rebobinando o VHS - "As Tartarugas Ninjas" (1990)

As Tartarugas Ninjas (Teenage Mutant Ninja Turtles – 1990)

Eu disse “boa”? Com a recente bomba produzida pelo veterano de bombas: Michael Bay, eu posso afirmar com segurança que o original foi alçado à categoria de “ótima” adaptação. Como esquecer a beleza da April O’Neill vivida por Judith Hoag? Fiquei triste quando trocaram a atriz no segundo filme. O roteiro tem vários furos e situações bizarras, porém
transporta com fidelidade o clima sombrio dos quadrinhos. Algo que se perdeu nas duas inferiores continuações.

E quem viveu a época, quem era criança no início da década de noventa, sabe o impacto desses personagens na cultura pop. Eu era viciado em jogar no Phantom System o clássico da Nintendo, depois cansei de zerar o “Turtles in Time”, no Super Nintendo. Eu tinha os bonecos dos personagens, tive lancheira e camiseta, tive até uma tartaruga chamada Donatello. Mas, por incrível que pareça, odiei esse filme na época. Eu ficava deprimido com a subtrama do Rafael se sentindo rejeitado e, especialmente, aquela do mestre Splinter
acorrentado no QG dos vilões. A fita chegava nessa parte, eu deixava o filme rolando e ia passar um tempo na sala, somente voltando quando já estava quase no final. E, cá com meus botões, penso: não teria sido mais fácil apertar o FF? Coisas de criança, que voltaram em minha mente enquanto revia a fita para esse texto.

Produzida pela Golden Harvest, clássico lar de Bruce Lee e Jackie Chan, a direção ficou a cargo de Steve Barron, especialista em clipes musicais, responsável pelo icônico “Billie Jean”, de Michael Jackson, que anos depois faria outra pérola que será abordada nesse especial: “Cônicos e Cômicos”. O trabalho impecável da equipe de Jim Henson, eficiente até hoje, mostra que a computação gráfica moderna ainda não conseguiu sequer igualar a competência de um bom roteiro, com personagens interessantes. O efeito é ajudado pela
iluminação realista, que deixa tudo com um aspecto de sujo, diferente dos tons claros e coloridos das continuações. As lutas, elemento essencial na obra, também são coreografadas de forma brutal, deixando claro que os heróis podem realmente sair feridos. O vilão Destruidor, que promete uma intensa batalha final, que o roteiro não cumpre, acaba triturado num compactador de lixo.

Esta atitude acabou incomodando os patrocinadores, já que o resultado estava mais próximo do primeiro “Batman” de Tim Burton, que do leve desenho animado que passava nas manhãs da Rede Globo.

RECOMENDAMOS


Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here