Blaxploitation – “A Fúria do Poderoso Chefão”, de John Evans

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A Fúria do Poderoso Chefão (The Black Godfather – 1974)

Um filme pouco lembrado, da primeira fase do fenômeno blaxploitation, escrito e dirigido por John Evans, com um fiapo de trama trabalhado de forma praticamente amadora, sustentado pelo carisma do protagonista, vivido por Rod Perry, um delinquente que é apadrinhado por um chefão do crime, vivido por um Jimmy Witherspoon cheio de atitude, após uma tentativa desastrada de furto.

O homem valoriza a coragem do jovem, que, de uma hora pra outra, acaba se transformando em alguém elegante, educado, e, por incrível que pareça, ele se mostra mais competente que o chefão. Como o roteiro não sabe estruturar um mínimo de suspense, os anos de experiência, na prática, dão a impressão exata de alguns dias na vida do rapaz. Você simplesmente é levado a acreditar que ele é extremamente competente, já que não há uma cena sequer, nesse hiato de transformação, que mostre ele em ação.

Os defeitos agregam à diversão, criticar tecnicamente esses filmes é assinar um atestado de ignorância, desmerecendo o contexto das obras e, especialmente, o descompromisso dominante nas produções. O que vale é perceber o desconforto de grande parte do elenco ao ditar, de forma quase robótica, as linhas de diálogo totalmente artificiais, que contrastam com o tom de naturalidade que as tramas se esforçam em alcançar. Dar risada com os bate-bocas fartos de xingamentos inspirados, alguns intraduzíveis, como na cena
de pancadaria com Tony Burton, conhecido pelo papel de treinador do Apollo Creed, nos filmes da franquia “Rocky”, num salão de ginástica improvisado.

É impossível não torcer para que o protagonista arrebente a cara do arrogante traficante branco, um racista cruel, vivido por Don Chastain, um personagem tão caricato que parece saído de um desenho animado. A trilha sonora, normalmente um ponto alto nessas produções, não empolga, nem encanta, com uma mistura desconcertante de estilos, com a inclusão de um irritante sintetizador, que parecem ter sido escolhidos na base do uni, duni, tê.

Pegando carona descarada no sucesso da obra-prima de Coppola, o filme não é dos melhores, porém, considero superior, por exemplo, ao respeitado “Sweet Sweetback’s Baadasssss Song”. Com o orçamento que tinham, fizeram milagre.

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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