“Jurassic World”, de Colin Trevorrow

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    Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros (Jurassic World –
    2015)

    Não há computação gráfica que supere o animatrônico
    artesanal de Stan Winston no original. A equipe de “Jurassic World” tentou até
    emular limitações dos robôs nas criações digitais, o que não suavizou a
    aparência artificial das criaturas. Sem o fator de deslumbramento visual, já
    que os efeitos computadorizados foram banalizados com o tempo, o filme coloca
    toda a responsabilidade no roteiro e no elenco. E, a despeito de divertir
    medianamente, o projeto falha terrivelmente nesses dois quesitos. O conceito da
    trama, dinossauros como atração de um parque temático, é, em essência, algo que
    nos remete ao lúdico infantil, mas, como Spielberg nos provou diversas vezes, essa
    característica não precisa ser sinônimo de tolice.

    Após um primeiro ato interessante, o amadorismo do diretor
    Colin Trevorrow fica latente no ritmo caótico estabelecido, especialmente, no
    terceiro ato, com soluções para cenas que ultrapassam a tolice, abusando da
    suspensão de descrença e causando riso involuntário. Com exceção da
    reutilização pouco original de cenas, com enquadramentos idênticos ao original,
    senti pouca conexão com a história dos filmes anteriores, sendo praticamente um
    reboot, uma expansão pouco interessante, ao invés de uma sequência. O curioso é
    que o leitmotiv é contraditório. A fala do cientista: “Ninguém se impressiona
    mais com um dinossauro”, a ideia de que a magia de outrora havia se tornado
    atração comum de zoológico, numa crítica válida à crescente valorização da
    forma em detrimento da substância, está em conflito exatamente com o produto
    que estamos assistindo, uma carroça bem barulhenta e vazia. E quando o roteiro
    tenta defender esse leitmotiv nostálgico ao final, de forma bem demagógica, o
    estrago já havia sido feito, a atitude não condiz com o discurso.

    A insegurança com o material é tão grande, que o roteiro
    preenche cada vírgula na página com uma piadinha, por mais incoerente que soem
    nas cenas, destruindo, invariavelmente, o senso de perigo de todas as
    situações. Selecionei alguns exemplos mais graves, como quando uma busca
    desesperada é interrompida por um interlúdio melodramático, onde a tia, vivida
    por Bryce Dallas Howard, esquece por longos minutos o perigo que correm seus
    sobrinhos e chora a morte de um dinossauro, até que, quando relembra, próxima
    de um desfiladeiro, presume alegremente que eles pularam e estão bem, ainda que
    desconheça o temperamento das crianças, conduzindo a cena para uma absurda
    interação engraçadinha com a heroica tira de cartolina defendida por Chris
    Pratt. O que dizer então de uma longa cena de morte, teoricamente impactante
    emocionalmente, filmada como espetáculo do Cirque du Soleil? Aliado ao fato de
    que, devido ao fraco roteiro, eu não me importava com os personagens e sequer
    lembrava seus nomes após minutos do fim da sessão, a forma como a cena é trabalhada,
    sem exagero, parece saída de uma paródia clássica dos irmãos Zucker.

    Todas as boas ideias estão contidas no primeiro ato.
    Enquanto a obra original utilizava o contexto fantasioso para trabalhar o tema
    da paternidade, representado pelo personagem Alan Grant, desta feita, a história
    reverbera a sociedade egoísta atual, onde os pais compensam a ausência com
    brinquedos caros, mascarando o desinteresse pelos filhos. Não é por acaso que a
    obra inicia com a imagem de um ovo quebrando, um filhote que nasce afastado dos
    pais, no ambiente artificial do laboratório. E, numa boa sacada, o primeiro
    ataque, o descontrole, ocorre logo após a bronca que a tia leva da irmã, por
    estar negligenciando os sobrinhos. Há também espaço para uma subtrama que me
    fez lembrar os militares de “O Dia dos Mortos”, de George Romero, com a
    tentativa de controlar/adestrar os velociraptors. Gostei também da forma como o
    roteiro apresenta o velho T-Rex, com a câmera nos colocando na mesma posição da
    criança, que está doida pra ver, mas não consegue, por causa da multidão de
    ombros em sua frente. Uma pena que essas ideias não sejam desenvolvidas.

    “O Mundo Perdido” era problemático, mas tinha o carisma de
    Jeff Goldblum; “Jurassic Park 3”, mais problemático ainda, tinha o carisma de
    Sam Neill. Nesse, temos só problemas.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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