“Mad Max: Estrada da Fúria”, de George Miller

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    Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road – 2015)
    Esse é o projeto mais empolgante sobre o nada, porém, é
    bobeira reclamar disso, até porque o original também tinha uma narrativa
    simplória. Acho mais correto exaltar a competência do roteirista e diretor
    George Miller, retornando ao universo que criou, por ter conseguido, com um
    fiapo de trama, prender a atenção com plena segurança por duas horas,
    entregando para o público o melhor filme de ação do ano.

    O toque mais interessante foi transformar o Max de Tom Hardy em um coadjuvante
    de luxo, inteligentemente subvertendo, em tom claro de crítica, as funções
    usuais dos personagens em uma obra do gênero. Ao quebrar as expectativas do
    público, reservando para o herói todos os clichês narrativos que são
    normalmente relegados às mulheres, que podem ser resumidos na cena em que o
    ombro de Max serve de apoio para a mira da protagonista, vivida por Charlize
    Theron, Miller evidencia o desleixo da indústria na criação de heroínas fortes.

    As sequências longas de ação entorpecem os sentidos, não dão trégua, é uma aula
    de eficiência, sem o artifício comum de confundir o público, como forma de
    mascarar a pouca habilidade daquele que está no comando. A câmera aqui age como
    se estivesse filmando as danças de Fred Astaire, ela apenas capta o
    desenvolvimento natural dos conflitos, deixando para a montagem o trabalho de
    impor o ritmo e o tom. Nos aspectos técnicos, o filme é impecável. A fotografia
    de John Seale, coerente à ousadia narrativa já citada, uma atitude que respeita
    o cinema de guerrilha que foi o clássico australiano, rejeita a paleta visual
    óbvia de poucas cores, moldura de dez entre dez filmes ambientados em cenários
    pós-apocalípticos.

    Ao final, o que se mantém na mente de quem assiste é a postura desafiadora,
    soco no estômago, típica de filme B, um charme raro dentre tantas obras
    formulaicas do gênero que a indústria despeja anualmente. Não reinventa a roda,
    e nem precisaria, mas, sem dúvida, o septuagenário diretor deixou muito
    cineasta garotão, esses que são fabricados pelo hype de Hollywood, com inveja.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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