Sétima Arte em Cenas – “O Invencível”, de Satyajit Ray

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    Link para o texto sobre o filme anterior na Trilogia de Apu:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2014/09/trilogia-de-apu-cancao-da-estrada.html

    Link para os textos anteriores no especial:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/p/7-arte-em-cenas.html

    O Invencível (Aparajito – 1956)

    O Satyajit Ray de “O Invencível” é um cineasta mais seguro,
    utilizando a câmera de forma mais consciente no intuito de contar sua história,
    manipulando a emoção absorvendo um senso de ritmo e certas soluções visuais
    mais convencionais, visando uma compreensão universal, elemento análogo à trama
    do filme, ainda que o roteiro seja, essencialmente, representativo de sua cultura,
    com generoso espaço para a espiritualidade do povo indiano, na utilização do
    misticismo inerente às cenas em torno do sagrado rio Ganges. É o meu favorito
    da trilogia.

    No início, encontramos a família de Apu inserida em um
    ambiente totalmente diferente da pequena vila da obra anterior. A mãe,
    perceptivelmente deslocada naquela realidade mais ambiciosa da cidade grande, projeta
    seus medos no filho, tentando fazer com que ele se mantenha um peixe pequeno em
    um aquário pequeno, objetivando seguir a tradição, o comodismo, inspirando ele
    a seguir uma vida de sacerdote. O garoto não é um peixe pequeno, ele deseja ser
    cidadão do mundo, aquele aquário é pequeno demais para seus sonhos. Ele quer frequentar
    a escola ocidental, mostrando seu deslumbramento com cada nova descoberta, o
    fascínio por trás de um eclipse solar, os fenômenos que são explicados sem
    misticismo pelos professores. O progresso consequencial dos estudos
    confrontando a mesmice limitante das tradições. A morte do pai parece ser o
    gatilho que motiva a decisão do garoto. É linda a maneira como a cena é
    trabalhada, com o pai moribundo pedindo um gole da água do rio sagrado. Ao
    beber a água trazida por seu filho, um corte rápido, pombos voando pelo céu; o
    homem finalmente está livre. Ray então nos conduz pela mão até o emocionante
    terceiro ato, quando o jovem enfrenta outra perda, o último laço que o unia ao
    seu passado, a mãe. E essa linda cena é a razão da inclusão da obra nesse
    especial.

    A câmera desce ao encontro do rosto expressivo da mãe, que, de
    olhos fechados, descansa apoiada em uma árvore. Ela sofre com saudade do filho.
    Escutamos então o som de um trem se aproximando. A mulher não tem reação
    alguma, pois sabe que continuará sozinha. É apenas mais um trem que, por alguns
    minutos, perturba o silêncio do local, seguindo seu caminho em direção a uma
    modernidade que ela rejeita. Ela se levanta com dificuldade, o corpo não
    responde. A trilha sonora opressiva, como o eco de um passado que se esvai no
    fundo do abismo de sua existência. Em sua alucinação, a mulher escuta o filho
    chamando por ela, o que faz nascer um sorriso em seu rosto. Ela vai, com
    dificuldade, na direção do chamado, descobrindo uma grande quantidade de
    vagalumes que voam, como que numa dança, um rito fúnebre, sobre o lago.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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